Irã estuda incentivos para abandonar programa nuclear

Países ocidentais fizeram ofertas ao país em troca da suspensão do enriquecimento de urânio

EFE

29 de junho de 2008 | 15h39

O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, afirmou neste domingo, 29, que seu país estuda "cuidadosamente e de um ponto de vista construtivo" o pacote de incentivos de nações ocidentais para resolver a polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano.  Mottaki, citado pela agência de notícias "Irna", disse que as autoridades iranianas anunciarão a resposta quando terminarem de analisar as medidas.  Ele lembrou que Teerã tinha apresentado a Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China (países do Conselho de Segurança da ONU) e Alemanha sua própria proposta para resolver o caso, e manifestou esperança de que "a troca dos dois planos abra caminho para futuras negociações".  A proposta ocidental, que oferece incentivos ao Irã em troca da suspensão por parte de Teerã, do enriquecimento de urânio, foi entregue às autoridades iranianas em 14 de junho pelo alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana.  O governo iraniano disse então que estudará o conjunto de incentivos, e que estava disposto a negociar com as nações sobre os "pontos comuns" nos dois planos, mas deixou claro que não abandonará o enriquecimento de urânio, uma matéria de duplo uso, militar e civil. Mottaki falou também sobre as recentes notícias de que Israel pode estar preparando um ataque contra as instalações atômicas iranianas. Ele reiterou que o Estado judeu "não está em uma posição que permita atacar o Irã", e que Teerã estuda apresentar uma queixa ao Conselho de Segurança da ONU sobre "as ameaças israelenses". Ameaça O ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani descartou que Israel vá atacar as instalações nucleares do país, mas alertou que o Estado judeu se arrependerá se decidir lançar um ataque ao Irã. "Descarto que Israel tome essa medida, mas caso a leve em frente, se arrependerá, porque nossa reação militar será decisiva", disse Rafsanjani à televisão catariana "Al Jazira" em entrevista exibida neste domingo. As manobras das forças aéreas israelenses este mês geraram especulações no mundo todo sobre se Israel está se preparando para atacar as instalações nucleares iranianas. Rafsanjani, que atualmente é presidente do poderoso Conselho de Determinação iraniana, afirmou na entrevista que o país "tem mísseis de longo alcance capazes de chegar a alvos em Israel". Além disso, o ex-presidente questionou que os Estados Unidos vá se arriscar a atacar o Irã. "Os EUA costumavam controlar tudo no Irã, incluído o Savak (a Polícia secreta do Xá), o petróleo, o Exército, mas o povo iraniano conseguiu derrotá-lo", disse, em referência à Revolução Islâmica de 1979, liderada pelo aiatolá Ruhola Jomeini, que acabou com o reinado do Xá Mohammed Reza Pahlevi.

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