Irã executa holandesa-iraniana por tráfico de drogas

Uma mulher holandesa-iraniana, presa no Irã depois de participar de manifestações, foi morta por enforcamento após ser condenada por tráfico de drogas, o que levou a Holanda a congelar as relações oficiais com o país e a emitir uma advertência sobre viagens ao Irã.

ROBIN POMEROY E GREG ROUMELIOTIS, REUTERS

29 de janeiro de 2011 | 18h05

O ministro dos Relações Exteriores holandês, Uri Rosenthal, recebeu a confirmação oficial da execução no sábado, após convocar o embaixador iraniano em Haia devido às notícias sobre a morte, informou um porta-voz do ministério holandês.

"O ministro ficou profundamente chocado. Este foi um ato cometido por um regime bárbaro. O fato de diplomatas iranianos nos terem dito ainda na sexta-feira que nem todas as vias legais haviam sido esgotadas torna isso ainda mais chocante," disse ele.

A agência semi-oficial iraniana Mehr havia informado mais cedo no sábado, citando um anúncio da corte, que uma traficante chamada Zahra Bahrami, filha de Ali, tinha sido enforcada por posse e venda de drogas no país.

Segundo o grupo de direitos humanos de New York Campanha Internacional para os Direitos Humanos no Irã, a filha da mulher de 45 anos executada afirmou que as acusações de tráfico de drogas eram fabricadas.

Mehr informou que ela havia sido considerada culpada de tráfico de cocaína da Holanda para o Irã e teria sido detida com 450 gramas da droga. O Irã não reconhece a dupla cidadania.

Com a execução, a Holanda emitiu um aviso de viagem alertando que não pode garantir a segurança dos iranianos que também são cidadãos holandeses em visita ao Irã.

A Holanda deve levantar a questão em uma reunião de ministros da União Europeia na segunda-feira e procurar medidas contra o Irã, disse o porta-voz, sem especificar quais seriam essas medidas.

Todos os contatos oficiais com o Irã foram congelados e diplomatas iranianos no país terão de pedir autorização ao Ministério das Relações Exteriores holandês antes de se encontrarem com qualquer funcionário holandês, segundo o porta-voz.

No entanto, não há uma decisão sobre a permanência do embaixador holandês em Teerã, acrescentou.

Segundo a Campanha Internacional para os Direitos Humanos, Bahrami morava em Londres, mas visitou sua família no Irã e participou de manifestações da oposição que marcaram o festival muçulmano xiita de Ashura em dezembro de 2009.

Tudo o que sabemos sobre:
IRAEXECUCAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.