Irã exige que Paquistão entregue líder de grupo rebelde

O Irã exigiu na sexta-feira que o Paquistão entregue o líder do grupo militante Jundollah depois de um ataque suicida que matou 42 pessoas, disse uma autoridade segundo a televisão estatal.

REUTERS

23 de outubro de 2009 | 10h45

O ministro do Interior iraniano, Mostafa Mohammad Najjar, desembarcou no vizinho Paquistão na sexta-feira para discutir os esforços para combater o grupo sunita depois do ataque de domingo no Irã, que tem maioria xiita.

"Nós temos documentos que mostram que (Abdolmalik) Rigi viajou ao Paquistão... estamos aqui para pedir ao Paquistão que entregue Rigi ao Irã", disse o ministro Najjar à televisão estatal no Paquistão.

O Jundollah (Soldados de Deus) assumiu a autoria do ataque contra a Guarda Revolucionária, grupo de elite do Irã, na província de Sistão-Baluquistão. O atentado matou 15 guardas, incluindo seis comandantes, e outras 27 pessoas.

O Irã diz que o Jundollah tem bases no Paquistão.

"O Paquistão (abrigar Rigi) não é do interesse da boa relação entre os países vizinhos", disse Najjar.

O Irã acusa Estados Unidos e Grã-Bretanha de apoiarem o Jundollah, e sugeriu que o grupo tinha ligações com a inteligência paquistanesa. Washington, Londres e Islamabad negaram qualquer envolvimento.

Na terça-feira, um importante comandante da Guarda Revolucionária disse que sua força deveria receber permissão para confrontar os terroristas dentro do Paquistão, segundo relatou a mídia estatal. Não deu detalhes se o general Mohammad Pakpour estava se referindo a autorização do Paquistão ou do governo iraniano.

A televisão estatal iraniana disse na terça-feira que três pessoas foram detidas em relação com o ataque, mas não entrou em detalhes.

Muitos sunitas vivem na área desértica do ataque, que vem sofrendo um aumento nos atentados e confrontos entre forças de segurança, insurgentes sunitas e traficantes de drogas.

O Jundollah, que acusa o governo iraniano de discriminar os sunitas, foi acusado por muitos incidentes fatais nos últimos anos. O grupo supostamente assumiu um ataque a bomba a uma mesquita no Sistão-Baluquistão em maio, que deixou 25 mortos.

A Guarda Revolucionária, vista como uma força leal ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, é responsável pela segurança nas áreas de fronteira. Seu poder e recursos aumentaram desde a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2005.

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