Irã faz teste com mísseis durante manobras no Golfo Pérsico

O Irã anunciou nesta segunda-feira que testou com sucesso o que descreveu como sendo dois mísseis de longo alcance, numa demonstração de força diante da crescente pressão ocidental sobre seu programa nuclear.

RAMIN MOSTAFAVI, REUTERS

02 de janeiro de 2012 | 12h59

O anúncio foi feito no auge dos dez dias de exercícios navais no Golfo Pérsico, durante os quais o Irã alertou que iria fechar o estreito de Ormuz, através do qual passa 40 por cento do petróleo mundial, se fossem impostas sanções sobre suas exportações de petróleo bruto.

Analistas dizem que a crescente retórica estridente do Irã, que provocou uma alta no preço do petróleo, visa enviar ao Ocidente a mensagem de que deveria pensar duas vezes sobre o custo econômico de pressionar ainda mais o país.

"Nós testamos com sucesso hoje mísseis de longo alcance terra-mar e terra-ar, chamados de Qader (Capaz) e Nour (Luz)", disse o vice-comandante da Marinha, Mahmoud Mousavi, na televisão estatal.

Apesar de falar em "longo alcance", a agência de notícias semioficial Fars disse que o alcance do Qader era de apenas 200 km, e não foi fornecido o alcance do Nour.

O Irã fica a cerca de 225 km em seu ponto mais perto do Bahrein, onde está baseada a 5a Frota dos Estados Unidos, e a cerca de 1000 km de Israel. Seu míssil de maior alcance, o Sajjil-2, chega a 2.400 km.

Nesta segunda-feira o Irã disse que não tinha intenção de fechar o estreito de Ormuz, mas fez exercícios "simulados" para fechá-lo.

"Não foi dada nenhuma ordem para fechar o estreito de Ormuz. Mas estamos preparados para vários cenários", disse o comandante da Marinha, Habibollah Sayyari, segundo a televisão estatal.

A 5a Frota dos EUA disse que não irá permitir que o tráfego seja interrompido no estratégico canal.

O Irã nega as acusações ocidentais de que esteja tentando construir bombas atômicas, e diz que precisa da tecnologia nuclear para gerar eletricidade.

Os EUA e Israel não descartam a possibilidade de usar ação militar contra o Irã se a diplomacia falhar para resolver o impasse nuclear da República Islâmica com o Ocidente.

REAÇÃO ISRAELENSE

Israel minimizou o impacto do anúncio do Irã, dizendo que as forças de Teerã não eram páreo para as do Ocidente no Golfo.

O vice-primeiro-ministro e também ministro de assuntos estratégicos Moshe Yaalon disse à Rádio Israel que os exercícios refletiam a preocupação do Irã com as sanções para conter suas ambições nucleares, e seus esforços para sugerir que suas forças navais eram páreo para as ocidentais, lideradas pelos EUA, no Golfo Pérsico.

Sobre esse ponto, Yaalon minimizou o poderio iraniano. "Realmente, essa nem poderia ser chamada de uma briga justa entre dois lados."

Ele repetiu o pedido de Israel de sanções econômicas mais duras contra o Irã, acompanhadas por uma "opção militar crível como último recurso".

A União Europeia está estudando seguir os Estados Unidos na proibição de importação do petróleo bruto iraniano. O presidente norte-americano, Barack Obama, aprovou novas sanções contra o Irã no sábado, aumentando a pressão sobre instituições financeiras que lidam com o banco central do Irã.

Se aplicadas de forma rigorosas, as sanções tornariam praticamente impossível para a maior parte das refinarias comprarem petróleo bruto do Irã, o quarto maior produtor mundial.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb em Teerã e Jeffrey Heller em Jerusalém)

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