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Irã inaugura sua primeira usina de combustível nuclear

Governo iraniano promete estudar oferta de potências para negociação sobre impasse de seu programa atômico

PARISA HAFEZI, REUTERS

09 de abril de 2009 | 13h32

O Irã anunciou nesta quinta-feira, 9, que fez novos avanços em seu programa nuclear, inaugurando sua primeira usina de produção de combustível nuclear e divulgando que testou mais equipamentos avançados para o enriquecimento de urânio. Anunciadas um dia depois de os Estados Unidos e cinco outras potências terem dito que convidariam Teerã para conversações sobre seu programa nuclear, as iniciativas devem reforçar o receio ocidental de que a República Islâmica pretende desenvolver bombas nucleares sob o disfarce de um programa de desenvolvimento nuclear civil.

 

Teerã alega que visa apenas gerar eletricidade para que possa exportar uma parte maior de seu petróleo. O presidente Mahmoud Ahmadinejad inaugurou a fábrica de produção de combustível próxima a Isfahan, na região central do Irã. Um político importante disse que esse avanço significa que a República Islâmica já domina todos os estágios da produção de combustível nuclear.

 

Um gerente da fábrica de manufatura de combustível próxima a Isfahan, Vajihollah Asadi, afirmou que a instalação é "100%" iraniana e que vai produzir combustível para o reator de água pesada de Arak. Gholamreza Aghazadeh, presidente da Organização de Energia Atômica iraniana, disse que o Irã hoje opera 7.000 centrífugas de enriquecimento de urânio e que obteve a tecnologia necessária para produzir "centrífugas mais precisas". Em fevereiro o Irã tinha anunciado que operava 6.000 centrífugas. Ahmadinejad também anunciou que o Irã testou dois tipos novos de centrífugas de enriquecimento de urânio com capacidade "algumas vezes maior que as centrífugas atuais" que estão sendo usadas hoje.

 

Potências ocidentais exigem que Teerã suspenda a atividade delicada do enriquecimento, que pode ser usada não apenas na geração de energia, mas também para a manufatura de bombas nucleares. Estados Unidos, Rússia, China, França, Alemanha e Grã-Bretanha disseram na quarta-feira que vão pedir que o chefe de política externa da União Europeia, Javier Solana, convide Teerã para uma reunião para buscar "uma solução diplomática para essa questão crítica". O anúncio marcou uma inversão de política em Washington sob a presidência de Barack Obama, depois de seu predecessor, George W. Bush, ter encabeçado uma campanha para isolar o Irã devido aos trabalhos que o Ocidente suspeita tenham por objetivo produzir bombas.

 

Ahmadinejad disse nesta quinta-feira que as conversações passadas com as nações europeias fracassaram porque "elas insistiam em parar nossas atividades pacíficas, tentavam impor isso. Estava claro que o povo iraniano não aceitaria isso", disse. "A nação iraniana sempre esteve aberta ao diálogo", disse o presidente do Irã. "Mas o diálogo precisa ser baseado na justiça e respeito aos direitos. A justiça significa que ambos os lados são tratados com equidade e os direitos bilaterais são respeitados", ele afirmou.

 

A China, membro do Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto, e parceira comercial e energética estreita do Irã, disse que saúda os sinais de diálogo renovado e exortou Teerã e as outras potências a buscarem contatos visando desativar a disputa prolongada. Ahmadinejad disse que o Irã está disposto a dialogar com o Ocidente se as conversações forem baseadas em "justiça e respeito". Analistas nucleares estrangeiros acham que Teerã ainda não comprovou ter dominado o enriquecimento de urânio em escala industrial, a chave para a produção de combustível em quantidades grandes e utilizáveis e o aspecto tecnicamente mais difícil da produção de energia nuclear.

 

No processo de enriquecimento de urânio, o gás de urânio é colocado numa série de milhares de centrífugas, que se movimentam a velocidades supersônicas para limpar o mineral das impurezas. O urânio enriquecido a um baixo grau é usado como combustível para reatores de água leve, para gerar eletricidade, mas quando enriquecido a um alto grau produz a base para uma arma atômica.

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