Irã informará ONU 'em breve' sobre inspeção de nova usina

Ocidente buscará garantias em negociações com o Irã na reunião desta quinta-feira, diz chefe da UE

estadao.com.br,

29 de setembro de 2009 | 07h56

O Irã informará a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em breve sobre o processo e as datas para a inspeção da polêmica usina nuclear que constrói sob uma colina e cuja existência foi revelada apenas há uma semana. As potências ocidentais exigiram do Irã a abertura do local à inspeção internacional para não sofrer novas sanções.

 

Veja também:

lista Conheça os números do poderio militar do Irã

lista Altos e baixos da relação entre Irã e EUA

especialEspecial: O histórico de tensões do Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

O chefe da política externa da União Europeia, Javier Solana, disse que o grupo de negociadores está determinado a manter o comprometimento com a questão iraniana, embora as negociações marcadas para quinta-feira em Genebra devam ser duras.  Solana, que tem liderado os esforços ocidentais de negociação com o Irã na questão nuclear, será acompanhado por representantes de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia. China e Alemanha nas conversas com o negociador iraniano Saeed Jalili.

 

Os Estados Unidos deixaram claro que irão se concentrar nas atividades nucleares do Irã, que o Ocidente teme visam a fabricação de bombas, no encontro na cidade suíça. O Irã, que insiste que seu programa tem como finalidade a produção de eletricidade, ofereceu-se para conversas abrangentes relacionadas à segurança, mas diz que não irá negociar seus "direitos" nucleares.

 

"Minha expectativa, ou minha esperança, é que poderemos estar engajados de maneira a conseguir as garantias de Teerã, de que o programa nuclear deles é pacífico", disse ele a repórteres durante encontro de ministros da Defesa da UE em Gotemburgo, Suécia. "No momento ainda não obtivemos as garantias objetivas de que o projeto é somente um projeto que é pacífico", disse. "Não acho que será uma coisa fácil de pedir, mas nos manteremos comprometidos."

 

Em declarações divulgadas pela televisão estatal por satélite, o diretor da Agência da Energia Atômica iraniana, Ali Akbar Salehi, insistiu na teoria iraniana que a nova instalação se edificam conforme às leis internacionais. A existência da usina será o tema tratado em uma reunião desta quinta entre o Irã e as seis principais potências que tentam deter seu suposto programa nuclear.

 

"Sim, os inspetores virão. Estamos trabalhando no calendário e em breve enviaremos uma carta à AIEA com detalhes como a localização da planta... O tempo todo estivemos em contato e coordenados com a AIEA", afirmou Salehi à rede PressTV.

 

A usina chegou ao debate público na sexta-feira passada, depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, denunciassou que o Irã tinha enganado ao mundo ao construir "de forma clandestina" uma nova instalação de enriquecimento de urânio. Ao lado da França, Reino Unido e Alemanha, além da Rússia e China, exigiu que o Irã permitisse a inspeção da planta, que aparentemente se encontra oculta sob uma colina próxima à cidade santa xiita de Qom e poderia abrigar três mil modernas centrífugas.

 

O Irã insiste em que o projeto não é secreto, já que informou por carta à AIEA quatro dias antes que Obama realizasse sua denúncia. Além disso, argumenta que respeitou o protocolo do Tratado de Não-Proliferação já que na sua opinião não teria obrigação de informar sobre a mesma até seis meses antes que se comece a alimentar. Segundo o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ainda faltam 18 meses para que esteja operacional.

 

Segundo estimativas americanas, o país demorará de um a cinco anos para adquirir a capacidade de construir armas nucleares, embora o serviço secreto dos Estados Unidos também acredite que os líderes iranianos ainda não decidiram construir uma arma. Por outro lado, o país está construindo mísseis que podem carregar uma ogiva nuclear. Mas, uma avaliação da inteligência dos EUA de maio disse que o Irã reduziu o ritmo dos trabalhos com mísseis de longo alcance e concentra seus esforços em mísseis de curto e médio alcance.

 

Alerta

 

Os parlamentares do Irã disseram às potências mundiais nesta terça-feira para não repetirem os "erros do passado" nas conversas desta semana em Genebra, sugerindo que eles podem nesse caso forçar o governo iraniano a reduzir a cooperação com a agência nuclear da ONU.

 

Aumentando os interesses no raro encontro marcado para quinta-feira, 239 parlamentares assinaram uma declaração expressando apoio às negociações baseadas em propostas colocadas ao Irã, que não mencionaram o programa nuclear de Teerã.

 

"Lembramos aos países negociantes que esta é um oportunidade histórica que pode ser uma forma de romper o impasse e resolver os problemas", afirmaram os parlamentares em declaração citada pela emissora IRIB. "Recomendamos que o 5+1 (grupo das seis potências que negociam com o Irã) use esta oportunidade", disseram. "Se o 5+1 não aproveitar essa oportunidade, o Parlamento iraniano tomará outras decisões, como já fez no passado."

 

Em 2006, o Parlamento iraniano aprovou uma lei obrigando o governo do país a revisar seu nível de cooperação com a agência nuclear da ONU após a aprovação nas Nações Unidas de sanções a Teerã por conta de seu programa atômico.

Tudo o que sabemos sobre:
Irãprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.