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Irã julga francesa e funcionários de embaixadas por protestos

Agência estatal diz que professora e empregados iranianos confessaram envolvimento nas manifestações

08 de agosto de 2009 | 09h34

A segunda sessão do julgamento de um grupo de opositores detidos nas manifestações depois das eleições no Irã começou neste sábado, 8, perante um tribunal revolucionário de Teerã, informou a agência Fars. Entre os acusados de crimes como conspiração, coleta de informações e desordem, estão uma professora francesa e dois funcionários das embaixadas britânica e francesa em Teerã, que teriam admitido envolvimento nas manifestações.

 

O governo francês diz que as acusações contra a professora francesa Clotilde Reiss, de 23 anos, são completamente infundadas. Ela foi presa no início de julho, quando se preparava para deixar o Irã, depois de passar cinco meses trabalhando em uma universidade. Segundo a agência estatal Irna, a universitária confessou ter participado dos protestos por "motivos pessoais". Ela ainda teria admito seu erro e pedido clemência aos líderes religiosos do país. O governo francÊs negou todas as acusações contra Clotilde, e o presidente Nicolas Sarkozy pediu sua libertação imediata.

 

A agência afirma ainda que uma funcionária local da embaixada francesa também está entre os acusados. A iraniana Nazak Akshar teria dito durante o julgamento que pediu para que seus empregados oferecessem abrigo para os manifestantes se fosse preciso.

 

O Ministério do Exterior do Reino Unido disse que o julgamento do funcionário de sua embaixada Hossein Rassam, de nacionalidade iraniana, é inaceitável e viola garantias dadas anteriormente por representantes do governo iraniano. Ele estaria sendo acusado de espionagem. Segundo a Irna, ele teria confessado que passou informações para Washington e pediu perdão durante o julgamento. Rasam, inscrito no escritório de assuntos políticos, foi detido em junho junto com outros oito colegas de trabalho, mas estes últimos foram libertados.

 

Segundo a BBC, grupos de direitos humanos dizem que centenas de pessoas, incluindo políticos oposicionistas, jornalistas, ativistas e advogados foram presos no Irã desde as eleições. O pleito manteve o presidente Mahmoud Ahmadinejad no poder, mas a oposição insiste que houve fraude.

 

Na semana passada, mais de cem pessoas compareceram diante do tribunal por terem participado das manifestações após o pleito. Alguns dos acusados fizeram confissões públicas, dizendo que inventaram as reclamações em relação ao pleito para provocar confusão. Mas o procurador-geral do Irã, Ghorban Ali Dori Najafabadi, disse que as confissões não serão a única coisa a ser levada em conta. Segundo ele, apesar de elas terem sido obtidas de forma legal, o sistema judicial iraniano também vai considerar as fichas dos suspeitos e as provas apresentadas ao tribunal.

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