Irã não amplia programa nuclear desde maio, diz AEIA

Agentes dizem que número de centrífugas de enriquecimento de urânio em funcionamento está menor

Reuters

25 de agosto de 2009 | 09h07

O Irã não amplia sua capacidade de enriquecimento de urânio desde o fim de maio após passar três anos instalando novas centrífugas constantemente, asseguram diplomatas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

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O funcionário da agência, que divulgará um relatório nas próximas semanas sobre o programa nuclear iraniano, afirma que o número de unidades de enriquecimento de urânio em funcionamento é menor que em maio. "Não houve aumento no número de centrífugas que enriquecem urânio desde o final de maio", disse o diplomata em Viena, onde fica a sede da AIEA, sob condição de anonimato.

 

Desde maio, o Irã tem sido afetado por turbulências políticas que culminaram com denúncias de fraude nas eleições presidenciais de 12 de junho, nas quais Mahoud Ahmadinejad foi reeleito, causaram manifestações que foram violentamente reprimidas e revelaram uma profunda divisão na elite governante da República Islâmica.

 

Ao mesmo tempo, um político relativamente moderado, Ali Akbar Salehi, assumiu a direção da agência nuclear do país, e potências ocidentais manifestaram-se a favor de sanções mais duras a Teerã caso o país não aceite negociar sua atividade nuclear até o final de setembro.

 

Alguns diplomatas e analistas, entretanto, dizem que a desaceleração do enriquecimento de urânio pode se dever mais a questões técnicas do que políticas. Eles lembram que as autoridades iranianas reiteraram sua desafiadora recusa em restringir o programa, apesar da ameaça de novas sanções.

 

Essas fontes disseram também que o Irã poderia rapidamente retomar a expansão. Em 31 de maio, inspetores da ONU disseram que Teerã já tinha quase 5.000 centrífugas refinando urânio, e que muitas outras haviam sido instaladas e estavam sendo preparadas para entrar na cadeia de produção.

 

O enriquecimento de urânio é um processo que pode gerar material para usinas nucleares e, dependendo do seu grau, também para armas nucleares. Teerã rejeita as suspeitas ocidentais de que o programa teria fins militares, alegando que seu objetivo é apenas gerar eletricidade para fins civis.

 

O diplomata que disse que atualmente há no Irã um número ligeiramente inferior de centrífugas em funcionamento, porque algumas foram retiradas para manutenção e reparo.

 

Já o número das centrífugas instaladas, mas que ainda não foram ativadas, subiu em relação às cerca de 2.100 de maio, segundo diplomatas. Caso Teerã deseje, essas máquinas poderiam ser incorporadas em poucas semanas às linhas de produção, de acordo com analistas.

 

"Uma vez instaladas, levaria apenas poucas semanas para testá-las a vácuo antes que estejam prontas para enriquecer", disse David Albright, diretor do Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, de Washington, que monitora a proliferação nuclear.

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