Irã não precisa de reserva de urânio, diz diretor de programa nuclear

País volta a sinalizar que pode negociar impasse com potências nucleares e a AIEA

estadão.com.br

30 de julho de 2010 | 10h54

TEERÃ - O diretor da Agência de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, disse nesta sexta-feira, 30, que seu país não pretende acumular uma reserva de urânio enriquecido a 20% além de suas necessidades, como temem as potências ocidentais.

"Se nos derem 100 kg de combustível, será suficiente para uns oito anos. Produzimos combustível nuclear apenas para nossa necessidade. Não precisamos de uma reserva", disse Salehi à agência oficial Mehr.

"Por enquanto, queremos combustível só para o reator de Teerã. Se no futuro teremos outros reatores, é uma outra questão", acrescentou.

O urânio enriquecido a 20%, que o irã começou a produzir em janeiro, é utilizado para produzir isótopos médicos. No entanto, as potências nucleares ocidentais temem que, uma vez dominado este processo, o enriquecimento a mais de 95% - usado para construção de armas nucleares - se torna mais fácil.

Nesta semana, o Irã se disse disposto a aceitar se reunir com o Grupo de Viena (formado pelos cinco países do Conselho de Segurança, a Agência Internacional de Energia Atômica e pela Alemanha)para receber urânio enriquecido no exterior. Os EUA já sinalizaram que aceitam negociar.

Uma negociação similar fracassou em outubro do ano passado. Outro acordo, costurado por Brasil e Turquia, também não obteve sucesso e o Conselho de Segurança da ONU aprovou sanções ao Irã por conta de seu programa nuclear, que Teerã diz ter fins pacíficos.

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