Irã nega que jornalista dos EUA esteja em greve de fome

Pai da repórter condenada por espionagem pela Justiça diz que ela está muito fraca e não come há 1 semana

Agência Estado e Associated Press,

28 de abril de 2009 | 13h56

Um funcionário do judiciário iraniano negou que a jornalista norte-americana Roxana Saberi, detida no Irã sob acusação de ter espionado para os Estados Unidos, esteja em greve de fome. Ali Reza Jamshidi afirmou nesta terça-feira, 28, que ela está em "boa condição" física.

 

O pai de Roxana, o iraniano Reza Saberi, disse na segunda-feira que ela está "muito fraca" depois de uma semana de greve de fome. Segundo ele, a jornalista está consumindo apenas água com açúcar. Ele não respondeu as ligações telefônicas feitas nesta terça-feira. "Ela está em boa condição física e não está em greve de fome", disse Jamshidi, porta-voz do judiciário segundo informações divulgadas pela agência oficial de notícias IRNA.

 

A jornalista, que tem cidadania norte-americana e iraniana, foi condenada por espionagem mais de uma semana atrás e sentenciada a oito anos de prisão depois de um julgamento de um dia realizado a portas fechadas. Seu advogado apelou da sentença. Os Estados Unidos declararam que as acusações contra Saberi não têm justificativa e exigiram sua libertação. O caso tem dado origem a tensões entre Washington e Irã, num período em que a administração Obama que quer melhorar suas relações com o antigo adversário.

 

O Irã divulgou poucos detalhes sobre as acusações contra Saberi. Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano disse que o público ficaria surpreso se o Judiciário tornasse públicas as evidências contra a jornalista. Saberi mudou-se para o Irã seis anos atrás e trabalhou como freelance para empresas como a National Public Radio e para a British Broadcasting Corp. (BBC). Ela recebeu cidadania iraniana porque seu pai nasceu no país.

 

A jornalista de 32 anos, nascida em Fargo, Dakota do Norte, foi inicialmente acusada de trabalhar sem credenciais para imprensa, mas no início deste mês, um juiz a acusou de espionagem. Na segunda-feira, o pai da jornalista disse que tentou convencê-la a acabar com a greve de fome, mas ela não quis. "Ela prometeu ficar em greve de fome até ser libertada", disse ele.

 

O caso chamou a atenção de grupos que lutam pela liberdade de imprensa. Nesta terça-feira em Paris, mais de doze pessoas começaram uma greve de fome para mostrar seu apoio à jornalista. O chefe do Judiciário iraniano ordenou a realização de uma investigação sobre o caso e o presidente Mahmoud Ahmadinejad pediu ao procurador-chefe de Teerã que se certifique que Saberi terá direito à plena defesa durante a apelação da sentença.

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