Irã notifica os EUA sobre detenção de três americanos

Esta foi o primeiro aviso feito desde que os três montanhistas foram detidos em 31 de julho

AE-DJ,

11 de agosto de 2009 | 19h19

O Irã notificou Washington oficialmente, nesta terça-feira, 11, sobre a detenção de três montanhistas norte-americanos que entraram em território iraniano a partir do norte do Iraque, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

 

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A notificação, a primeira feita desde que o trio foi detido pelas autoridades iranianas em 31 de julho, após entrar no país inadvertidamente a partir do Curdistão iraquiano, foi feita através de canais suíços. A Suíça representa os interesses dos EUA no Irã desde 1979, quando os dois países romperam relações diplomáticas.

 

"Nosso poder representativo no Irã, o embaixador da Suíça, recebeu nesta terça-feira uma notificação formal do governo do Irã de que três norte-americanos estão detidos", disse o porta-voz P.J. Crowley.

 

"O Irã tem obrigações sob a Convenção de Viena e nós pedimos acesso consular na primeira oportunidade".

 

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, James Jones, disse no domingo que o Irã confirmou a prisão dos três montanhistas, mas o Departamento de Estado informou na segunda-feira que ainda não havia sido oficialmente notificado por Teerã.

 

Um vice-governador para a segurança na província iraniana do Kordestan, onde os três foram detidos, disse à agência iraniana de notícias Fars que os três montanhistas - o jornalista Shane Bauer, sua namorada Sarah Shourd e o amigo do casal, Joshua Fattal, foram detidos na cidade fronteiriça de Marivan, por entrada ilegal no Irã. Bauer é um jornalista experiente em coberturas no Oriente Médio e fala árabe.

 

O parlamentar iraniano Aladdin Brujerdi, chefe da comissão de política externa e segurança nacional do Parlamento do Irã, disse que será necessário um certo tempo para resolver o destino dos três montanhistas norte-americanos.

 

Na sexta-feira, um colega do trio, Shon Meckfessel, disse que seus amigos não tinham a noção de que estavam tão próximos à fronteira com o Irã. Segundo ele, eles caminhavam pelas montanhas para encontrar uma cachoeira, uma atração turística recomendada na cidade de Sulaimaniya, no Curdistão iraquiano.

 

Políticos iranianos disseram na semana passada que os três são espiões, hipótese totalmente descartada por declarações de funcionários do governo americano e pelos amigos.

 

"Eu espero que as pessoas levem em conta que a presença dos meus amigos na área foi apenas um simples e lamentável erro", disse Meckfessel.

 

Julgamento

 

A Anistia Internacional (AI) pediu às autoridades iranianas para que permitam o acesso de observadores internacionais a um tribunal revolucionário de Teerã para o julgamento de mais de 100 pessoas que participaram dos protestos pós-eleitorais no Irã.

 

Em comunicado emitido em sua sede em Londres, a organização pró-direitos humanos considera "vital" que haja "presença internacional" no processo para defender os direitos dos acusados.

 

Na opinião da secretária-geral da AI, Irene Khan, o processo não parece ser mais que um "julgamento-espetáculo" que o líder supremo da Revolução iraniana, aiatolá Ali Khamenei, usa para deslegitimar os manifestantes que consideram fraudulenta a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições de 12 de junho.

 

A AI ressalta que as imagens retransmitidas pela televisão iraniana, nas quais se vê alguns acusados confessando ou pedindo desculpas, "aumentaram os temores de que muitos deles possam ter sido torturados ou maltratados após sua detenção e tenham feito essas declarações no tribunal sob uma extrema coação".

 

O tribunal revolucionário de Teerã acusa os mais de 100 manifestantes de espionagem e conspiração com potências estrangeiras.

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