Irã: Ocidente reage com ceticismo a recuo em questão nuclear

Ahmadinejad diz que aceita enriquecer urânio fora do país, como propõe AIEA; China e Rússia elogiam Teerã

estadao.com.br,

03 de fevereiro de 2010 | 16h26

As principais potências ocidentais ofereceram uma reação cética a afirmação do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de que Teerã aceitaria enriquecer urânio no exterior. EUA, Reino Unido, França e Alemanha foram cautelosos com o anúncio. China e Rússia, tradicionais aliados de Teerã, tiveram reações mais positivas.

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Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha  previa o envio de  70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França. O material seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.

O porta-voz do departamento de Estado americano, Gordon Duguid disse que o Irã precisa notificar formalmente a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre sua decisão. Para o chanceler francês, Bernard Kouchner, o Irã está tentando ganhar tempo. "Estou um pouco pessimista", disse.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, disse a jornalistas que o Irã deve ser julgado pelo que faz não pelo que diz que vai fazer. "Cabe ao Irã pôr um fim nisto. Só as ações contam. Palavras, não", afirmou. A chancelaria britânica reiterou que o Irã deve comunicar sua intenção à AIEA.

Rússia e China

A Rússia, por sua vez, afirmou que os comentários de Ahmadinejad merecem uma observação mais atenta. "Se o Irã pretende concordar com o plano só podemos dar boas vindas a isto. Precisamos agora verificar se isto vai acontecer", disse o chanceler Sergei Lavrov.

A China evitou criticar o Irã e ressaltou a necessidade de dar prosseguimento às negociações. "Queremos um consenso o mais rápido possível", disse o ministro das Relações Exteriores, Yang Jieche.

Posição iraniana

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Na Turquia, o chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki disse que os comentários de Ahamadinejad representam uma fórmula sobre a qual a confiança pode ser construída.

Em uma entrevista à TV estatal iraniana na terça-feira, porém, Ahmadinejad negou as supostas preocupações de que países ocidentais possam reter o urânio do Irã.

"Não temos problemas em enviar nosso urânio para o exterior", disse. "Nós dizemos: 'Nós daremos a vocês nosso urânio enriquecido a 3,5%' e teremos em troca o combustível. Pode levar de quatro a cinco meses até termos o combustível."

No mês passado, diplomatas disseram que o Irã havia dito à AIEA que não aceitava os termos do acordo e pedia uma troca simultânea entre o urânio e o combustível em seu próprio território.

Com informações da Associated Press

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