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Irã ordenou início do enriquecimento de urânio a 20%

Ahmadinejad afirma que ordem não significa renúncia de seu país à negociação sobre instalações nucleares

Efe,

07 de fevereiro de 2010 | 07h27

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou neste domingo, 7, que ordenou ao Organismo da Energia Atômica que inicie o processo de enriquecimento de urânio a 20%. Em discurso transmitido pela televisão estatal, o presidente precisou que essa ordem não significa que seu país tenha renunciado à negociação sobre suas instalações nucleares.

 

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"Iniciem o enriquecimento do urânio a 20%, enquanto nós estamos dispostos a negociar para a troca de combustível nuclear", disse o líder ao presidente do citado organismo, Ali Akbar Salehi, presente no ato.

 

A este respeito, Ahamdinejad se referiu ao prazo de dois meses dado pelo Irã ao Ocidente para resolver a queda-de-braço nuclear e reiterou que seu país "está disposto a dialogar sobre a troca de combustível nuclear". "Nós começamos (o enriquecimento) embora o caminho da negociação continue aberto", destacou.

 

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Além disso, revelou que os cientistas iranianos conseguiram desenvolver uma tecnologia que permite enriquecer o urânio através da técnica laser. "O laser permite separar os átomos, o que significa que pode servir para enriquecer o urânio com o grau que um queira... Mas por enquanto não pensamos utilizar este método de enriquecimento", explicou. "Para enriquecer o urânio temos centrífugas que se Deus quiser poderemos utilizar para enriquecer 20% e ser auto-suficiente", detalhou.

 

As declarações do presidente abrem um novo capítulo na inflamada queda-de-braço que o Irã mantém com grande parte da comunidade internacional por causa das suspeitas levantadas por seu programa nuclear.

 

Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam o regime iraniano de esconder, sob seu esforço atômico civil, um projeto de natureza clandestina e aplicações bélicas cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal nuclear, alegação que o Irã rejeita.

 

O conflito se agravou no final do ano passado depois que Teerã rejeitou uma proposta de Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio a 3,5% ao exterior e recuperá-lo tempo depois enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter operacional seu reator nuclear civil na capital.

 

Em uma aparente mudança de postura, Ahmadinejad assegurou na terça-feira passada que seu país não tem problema algum para enviar o urânio ao exterior. A declaração conseguiu abrir de novo a brecha entre as grandes potências, e em particular entre Washington e Pequim, que mantêm posturas divergentes sobre a polêmica.

 

Os EUA pressionava há meses para conseguir que todos os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas respaldem um endurecimento das sanções políticas e econômicas ao regime dos aiatolás. Esta mesma semana, o Departamento de Estado americano pediu ao Irã para deixar de lado a incerteza e dar uma resposta definitiva e precisa à questão.

 

A China assinalou que as palavras de Ahmadinejad significam que ainda existem possibilidades de conseguir uma saída diplomática à crise. No entanto, parece que o presidente iraniano aposta pelo discurso mais duro. "Utilizam a tecnologia para subjugar os povos. Acreditam que a ciência é monopólio seu", acrescentou esta segunda-feira.

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