Irã parou de tentar fazer a bomba, diz inteligência dos EUA

Entretanto, enriquecimento de urânio foi mantido, o que permitiria obtenção de capacidade nuclear até 2015

Associated Press e Reuters,

03 de dezembro de 2007 | 15h49

O Irã cancelou seu programa para o desenvolvimento de armas nucleares no segundo semestre de 2003, mas manteve suas atividades de enriquecimento de urânio, informaram fontes de inteligência dos EUA nesta segunda-feira, 3.   Irã quer pactos com países do Golfo A decisão, segundo o relatório Estimativa de Inteligência Nacional sobre o Irã, veio após as pressões internacionais para que Teerã não desenvolvesse os armamentos. O fato de o enriquecimento de urânio ter sido mantido, no entanto, é um sinal de que o país estará apto a desenvolver os artefatos entre 2010 e 2015. A descoberta representa uma importante mudança em relação a alegações feitas há dois anos pela inteligência americana, quando o Irã foi acusado de concentrar esforços para construir uma bomba atômica. À época, as agências de inteligência dos EUA afirmavam que o Irã estava "determinado a desenvolver armas nucleares, apesar de suas obrigações internacionais e da pressão internacional".  "A decisão do Irã de suspender seu programa de armas nucleares sugere que (o país) está menos determinado a desenvolver os armamentos do que supúnhamos em 2005", diz um sumário do relatório, que é secreto. A Estimativa Nacional de Inteligência agrupa avaliações periódicas de 16 agências de inteligência dos EUA. O diretor nacional de Inteligência, Mike McConnel, decidiu no mês passado proibir a divulgação das avaliações da Estimativa Nacional de Inteligência. No entanto, uma exceção foi aberta na atual edição do relatório, pois as últimas conclusões sobre o programa nuclear iraniano, de 2005, tornaram-se influentes no debate público sobre o assunto.  Segundo as fontes americanas, a descoberta sobre o cancelamento dos esforços para se desenvolver a bomba sugere que a diplomacia é eficiente para conter as ambições nucleares iranianas.  "A boa notícia é que a política americana somada às ações de nossos parceiros parecem ter tido algum sucesso. O Irã parece ter sido persuadido", disse uma das fontes. Mas, "mesmo com a boa notícia, nós não iremos relaxar. Temos que manter as pressões altas", continuou. As fontes falaram em condição de anonimato pois não estavam autorizadas a dar entrevistas. O Irã resiste atualmente às ordens da ONU para suspender seu programa de enriquecimento de urânio, e por isso o país está sujeito a uma terceira rodada de sanções internacionais. Teerã afirma que seu programa nuclear se destina exclusivamente à geração de eletricidade com fins civis.  A descoberta revelada nesta segunda-feira vem em um momento de fortes tensões entre os Estados Unidos e o Irã. São cada vez maiores os temores de que Washington autorize uma investida militar contra a República Islâmica.  Notícias positivas Stephen Hadley, assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, disse em nota que "a Estimativa de Inteligência Nacional oferece algumas notícias positivas, (mas) confirma que estávamos certos em nos preocupar com a busca do Irã por desenvolver armas nucleares".  "(O relatório) nos diz que tivemos progresso em tentar garantir que isso não aconteça", acrescentou Hadley. "Mas a inteligência também nos diz que o risco de o Irã adquirir uma arma nuclear continua sendo um problema muito sério."  A Estimativa de Inteligência Nacional diz haver "alta confiança de que no outono de 2003 (no hemisfério norte) Teerã suspendeu seu programa de armas nucleares", e que há uma "confiança de moderada a alta de que Teerã no mínimo mantém em aberto a opção de desenvolver armas nucleares."  O relatório indica também uma "moderada confiança" de que Teerã não teria retomado o programa de armas até meados de 2007. "Não sabemos se atualmente o Irã pretende desenvolver armas nucleares", conclui o relatório, que cita ainda uma "moderada confiança de que o Irã provavelmente seria tecnicamente capaz de produzir urânio altamente enriquecido suficiente para uma arma em algum momento durante o período 2010-2015..., caso seja tomada uma decisão nesse sentido."  Para desenvolver uma bomba atômica, o Irã precisa desenhar uma ogiva nuclear, obter uma quantidade adequada de material físsil e possuir um veículo de transporte, como um míssil. Segundo o relatório das agências, há quatro anos Teerã cancelou o desenvolvimento de um modelo de ogiva.

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