Irã pede 'mudança real' e pedido de desculpas dos EUA

Declaração do presidente Mahmoud Ahmadinejad é resposta à oferta de Obama para 'estender a mão' ao país

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 08h39

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta-feira, 28, que seu país receberia bem o que chamou de "uma mudança real e fundamental" na política dos Estados Unidos para o Irã. Segundo ele, os Estados Unidos deveriam retirar suas tropas espalhadas por vários países do mundo, retirar seu apoio a Israel e pedir desculpas pelos "crimes" cometidos contra o Irã no passado, afirmou o líder iraniano. Segundo Ahmadinejad, os Estados Unidos "se posicionaram contra o povo iraniano nos últimos 60 anos". "Quando eles dizem 'nós queremos fazer mudanças', mudanças podem acontecer de duas maneiras", disse Ahmadinejad. "Aqueles que falam em mudança precisam pedir desculpas ao povo iraniano e tentar reparar seus crimes passados", disse. "A primeira é uma mudança fundamental e eficaz (...) a segunda (...) é uma mudança de tática. É muito claro que, se o significado de mudança é a segunda, isso será revelado em breve", acrescentou. Segundo a BBC, a declaração, feita em discurso num ato público na região de Khermenshahna, no oeste do país, foi resposta à oferta do presidente americano Barack Obama de "estender a mão da paz para a República Islâmica se o Irã abrir seu punho". A oferta de Obama foi feita em sua primeira entrevista formal no cargo, à emissora de TV Al-Arabiya, sediada em Dubai. Estas são as primeiras declarações do Irã sobre os Estados Unidos desde que Obama assumiu o cargo, há oito dias. Obama concedeu a uma TV árabe sua primeira entrevista formal no cargo. Obama disse à Al-Arabiya, dos Emirados Árabes Unidos, que os americanos não são inimigos dos muçulmanos, seu governo está pronto para estender uma mão para o mundo islâmico, mas continuará caçando organizações terroristas que matam civis inocentes. "Minha mensagem para o mundo muçulmano é a de que os americanos não são seus inimigos", disse Obama. "Às vezes cometemos erros, não somos perfeitos. O mais importante é começarmos a negociar o mais rápido possível." A escolha da Al-Arabiya, uma das maiores redes de TV dirigida ao público árabe (perde em audiência para a rede de TV Al-Jazira, do Catar, mas é considerada mais moderada), mostra o grau de comprometimento de Obama em aproximar os EUA do mundo árabe e muçulmano.  A negociação direta com Teerã era uma das promessas de campanha de Obama, que estaria, assim, desmontando mais um pilar da política externa do ex-presidente George W. Bush, que tentou manter o Irã em completo isolamento diplomático nos últimos anos. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, que colocou o poder nas mãos dos aiatolás, EUA e Irã não mantêm relações diplomáticas nem qualquer contato oficial de alto nível. A embaixadora dos EUA na ONU, porém, disse que o restabelecimento de contatos bilaterais dependeria da posição de Teerã.

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