Irã planeja grande expansão nuclear

O Irã promete iniciar nesta terça-feira a produção de combustível nuclear de alto grau, e planeja ampliar seu programa de enriquecimento de urânio com a construção de dez novas usinas em 2011, numa expansão nuclear que certamente aumentará a tensão com o Ocidente.

HOSSEIN JASEB E FREDRIK DAHL, REUTERS

08 de fevereiro de 2010 | 10h20

A declaração do chefe da agência nuclear iraniana, Ali Akbar Salehi, na noite de domingo, ocorreu um dia depois de ele receber instruções do presidente Mahmoud Ahmadinejad para iniciar as atividades de produção de combustível para um reator de pesquisas de Teerã.

Analistas, no entanto, duvidam de que o Irã possa abrir dez novas usinas no futuro próximo, já que as sanções da ONU impostas a Teerã dificultam a obtenção de componentes sofisticados.

Analistas acreditam que o anúncio sobre o início da produção de urânio enriquecido a 20 por cento pode ser uma tática de negociação do Irã para obter termos mais favoráveis em um acordo com o Ocidente sobre combustível nuclear

Mas a medida pode aumentar a pressão das potências ocidentais por novas sanções ao programa nuclear iraniano. O Ocidente suspeita que o país esteja tentando desenvolver armas nucleares, embora o governo local insista no caráter pacífico das suas atividades.

"O Irã irá estabelecer dez centros de enriquecimento de urânio no ano que vem", disse Salehi, segundo a TV iraniana em idioma árabe Al Alam. O ano iraniano começa em 21 de março. O governo já havia falado sobre o plano no final de 2009, mas sem citar datas.

Salehi disse que na terça-feira o Irã elevará de 3,5 para 20 por cento o grau de enriquecimento no urânio que processa, na presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU).

De acordo com a Al Alam, a decisão será oficializada numa carta na segunda-feira. Antes, Salehi havia declarado que a atividade ocorrerá na usina de Natanz.

Mas Salehi também sugeriu que a produção poderia ser suspensa se o Irã puder importar combustível enriquecido a 20 por cento, o grau de pureza necessário para a transformação em um combustível especial usado em um reator de pesquisas médicas.

Desde o ano passado potências estrangeiras discutem com o Irã um intercâmbio de material radiativo, o que talvez dificultasse o acesso de Teerã a materiais que possam ser usados em armas nucleares. O acordo esbarra em exigências feitas pela República Islâmica.

"O Irã paralisaria seu processo de enriquecimento para o reator de pesquisas de Teerã a qualquer momento em que receber o combustível para ele", disse Salehi.

(Reportagem adicional de Hashem Kalantari e Mark Heinrich em Viena)

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