Irã pode abandonar acordo de troca de urânio se sanções forem aprovadas

Aviso é feito por membro do Parlamento; país estará 'descomprometido' com termos acordados

Reuters

20 Maio 2010 | 11h39

TEERÃ - O Irã pode cancelar o acordo firmado na segunda-feira com Turquia e Brasil para trocar urânio enriquecido se o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar uma nova rodada de sanções contra o país por conta de seu programa nuclear, disse nesta quinta-feira, 20, um membro do Parlamento iraniano.

 

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"Se o Ocidente emitir uma nova resolução contra o Irã, não estaremos comprometidos com a declaração de Teerã e o despacho de combustível nuclear fora de nosso território será cancelado", disse Mohammad Reza Bahonar, segundo a agência de notícias Mehr.

 

Após o aviso, o parlamentar admitiu que a República Islâmica espera as sanções. "As grandes potências, junto com o Conselho de Segurança da ONU, chegaram a um consenso sobre o Irã e é altamente provável que em um futuro próximo a quarta rodada de resoluções contra o Irã entre em vigência", continuou Bahonar.

 

As novas sanções contra o país persa recairiam sobre os bancos iranianos e contemplariam a inspeção de navios suspeitos que poderiam levar material para contribuir com o programa nuclear do Irã.

 

O aviso de Bahonar ocorre no mesmo dia em que o chanceler russo, Serguei Lavrov, disse que o Irã deve cumprir o acordo mesmo que o Conselho aprove as novas sanções. "Nós somos favoráveis a que o Irã envie a petição (sobre o acordo) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o mais rápido possível (...) Isso não deve ser atrapalhado pelas discussões no Conselho de Segurança", disse Lavrov.

 

Acordo e sanções

 

O acordo ao qual o parlamentar se refere foi anunciado na segunda-feira e prevê que Teerã envie 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido à Turquia para receber em troca 120 quilos de combustível nuclear para seu reator de pesquisas na capital iraniana.

 

O acordo iraniano pode aumentar o controle internacional sobre o programa nuclear do país, reduzindo, em tese, a chance de haver um plano secreto para a produção de armas nucleares. Porém, potências lideradas pelos EUA afirmaram que o acordo não exclui a possibilidade de uma quarta rodada de sanções ao país. Washington e outros governos temem que o Irã busque secretamente produzir armas nucleares, o que Teerã nega.

 

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Por esse motivo, as potências ocidentais negociam sanções contra a República Islâmica. O Brasil e a Turquia são membros não permanentes do Conselho de Segurança, sem poder de veto, e devem votar contra as medidas, cujo rascunho foi apresentado ao órgão um dia depois de o acordo de troca de material nuclear ser fechado.

 

O Irã classificou o projeto de resolução como carente de legitimidade e considera improvável que seja aprovado. "Os americanos cumpriram seu desejo de prejudicar a nação islâmica até levá-la à tumba", disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

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