Irã pode ajudar os EUA a estabilizar o Iraque, diz Larijani

Teerã pede criação de calendário de retirada de tropas americanas do país em troca do apoio na região

Efe,

01 de outubro de 2007 | 07h28

Irã está disposto a ajudar os Estados Unidos a estabilizar o Iraque se Washington apresentar antes um calendário para a retirada de suas tropas do país invadido, segundo o presidente do Conselho Nacional de Segurança iraniano, Ali Larijani.   Em declarações ao jornal britânico Financial Times, Larijani rejeita as acusações de Washington de que a República Islâmica esteja armando as milícias iraquianas e reitera que o problema é que o governo de George W. Bush se empenhou em "uma estratégia sem saída" no vizinho árabe.   Segundo o iraniano, é hora de as grandes potências compreenderem que é impossível que o Irã retroceda em seu programa nuclear e que convém negociar com Teerã sem tentar impor condições prévias aos iranianos.   O Irã chegou já a uma fase avançada desse processo e aprendeu a controlar plenamente a tecnologia nuclear, algo que ninguém pode agora tentar tirar.   Programa nuclear   Larijani afirma que seu país continuará cooperando com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas não suspenderá seu programa de enriquecimento de urânio, como exigiu o Conselho de Segurança da ONU.   Na entrevista, ele nega que o recente acordo com a AIEA para esclarecer certos temas que levantaram suspeitas no Ocidente seja uma tática para desviar atenção e afirma que tudo depende da rapidez com a qual a agência vai trabalhar.   Quanto ao desastre iraquiano, Larijani afirma que o Partido Democrata americano e o Governo de Londres estão no caminho correto.   A exigência democrata para que a Casa Branca estabeleça um "calendário para a retirada" das tropas americanas parece lógica, diz Larijani. Segundo ele, os britânicos são "mais inteligentes que os americanos", pois já fizeram "os ajustes necessários" e retiraram suas tropas do aeroporto de Basra.   "Se os americanos apresentarem um calendário claro, ajudaremos a concretizá-lo. Se, pelo contrário, os EUA se empenharem em repetir seus erros, não deveriam pedir ajuda", critica Larijani.   Na semana passada, o Senado americano, dominado pelos democratas, defendeu que a Guarda Revolucionária do Irã seja designada como "organização terrorista estrangeira".   Iraque   Larijani qualifica de "mentiras" as acusações de Washington e afirma que já pediu aos EUA que identifique os membros desse corpo de elite que estariam envolvidos no Iraque, mas continua sem receber resposta.   Segundo o político iraniano, seu país é o único da região que apoiou o governo de Bagdá e o processo democrático iraquiano enquanto os aliados árabes dos EUA não ajudaram.   Larijani afirma ter informações segundo as quais funcionários americanos mantêm conversas com Izzat al-Douri, ex-alto dirigente do partido Baath, que supostamente comanda grupos rebeldes iraquianos, algo que qualifica de "desastre para o povo iraquiano".   Sobre os rumores sobre um possível ataque ao Irã, Larijani diz que Washington já deveria ter aprendido com o sucedido no Iraque. Atacar o Irã seria como "colocar a mão em um vespeiro" e adverte os EUA contra essa tentação sob pena de ver Israel reduzida a "uma cadeira de rodas".

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