Irã pode entregar parte de seu urânio em caso de acordo

Chanceler iraniano afirma que o regime anunciará decisão sobre combustível atômico em 'poucos dias'

estadao.com.br,

26 de outubro de 2009 | 08h28

O chanceler iraniano, Manucher Mottaki, afirmou nesta segunda-feira, 26, que o regime pode entregar "parte" de seu urânio enriquecido como marco de um acordo internacional, para transformá-lo em combustível nuclear destinado a seu reator de pesquisas de Teerã. Mottaki disse ainda que a decisão do Irã sobre a provisão do combustível necessário para o reator de Teerã "será anunciada nos próximos dias", segundo a agência de notícias oficial Irna.

 

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O ministro de Relações Exteriores afirmou que o Irã pode tanto comprar combustível nuclear para o reator como concordar com o plano esboçado pela ONU e enviar seu urânio para fora do país para processamento. "Há duas opções na mesa... ou compramos ou damos parte de nosso combustível para processamento no exterior", afirmou Mottaki.

 

Na sexta-feira, o país afirmou que irá dar uma resposta essa semana ao acordo esboçado pela ONU para redução de seu estoque atômico, que o Ocidente teme possa ser usado em armas, ignorando o prazo de 23 de outubro e desafiando a base do pacto.

 

Parlamentares iranianos sugeriram que Teerã prefere adquirir urânio enriquecido de fora do que enviar seu próprio combustível para processamento em combustível fora do país, conforme o Ocidente afirmou ter concordado a fazer nas conversas de 1 de outubro em Genebra. Em Genebra, o Irã ainda prometeu dar acesso livre aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) a nova usina de enriquecimento nuclear perto da cidade de Qom. Os inspetores chegaram ao Irã no domingo.

 

O segredo do Irã sobre o local, que diplomatas afirmaram ter sido descoberto pela inteligência ocidental há três anos, levantou temores de que o país procure esconder um programa para desenvolvimento de bombas nucleares.

 

O Irã, quinto maior produtor mundial de petróleo, afirma que seu programa nuclear visa a produção de eletricidade. A proposta para que o Irã envie urânio enriquecido ao estrangeiro também é vista como uma forma de reduzir o estoque a um nível abaixo do necessário para se produzir material para uma bomba.

 

As potências mundiais consideram ambas as medidas como testes para a intenção declarada do Irã de usar urânio enriquecido para propósitos civis e criar base para uma redução do enriquecimento em si, o que pode gerar benefício comerciais e tecnológicos ao país.

 

(Com Reuters)

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