Irã pode estar com escassez de óxido de urânio, diz estudo

O Irã pode estar quase exaurindo suas reservas de óxido de urânio e não terá recursos para manter suas atividades de processamento e enriquecimento para um programa nuclear civil, disse na quinta-feira o Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, de Washington. O estudo afirma que o Irã não parece ter obtido quantidades significativas de "yellow cake" (óxido de urânio) desde que adquiriu 600 toneladas da África do Sul, na década de 1970. Com base em estimativas de um relatório de novembro de 2008 da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), os analistas avaliam que o Irã tenha usado cerca de três quartos desse estoque. A falta de material gera mais dúvidas sobre o caráter do programa nuclear do Irã, segundo os analistas, já que a falta de urânio seria um óbvio obstáculo para um programa civil, mas não para um nuclear. "A atual escassez de minério de urânio ilustra uma inconsistência fundamental entre as intenções declaradas do Irã - um setor de energia nuclear civil comercialmente viável, alimentado localmente - e suas capacidades", disse o relatório. Alguns analistas ocidentais acreditam que até o final deste ano o Irã terá urânio enriquecido suficiente para produzir uma bomba se assim desejar. A falta de "yellow cake" não seria um obstáculo para um programa de armas atômicas, que exige muito menos minério de urânio do que um programa civil. Um diplomata ocidental próximo à AIEA disse que as conclusões parecem plausíveis. "Ouvi dizer que o material sul-africano chegou ao fim", disse o diplomata. O Irã garante que seu programa nuclear se destina exclusivamente a fins civis.

SYLVIA WESTALL, REUTERS

12 de fevereiro de 2009 | 18h44

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