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Irã pode retomar esforço para ter bomba nuclear, dizem EUA

Enviado americano afirma que há novos indícios de projeto nuclear clandestino que pode não ter sido paralisado

MARK HEINRICH, REUTERS

21 de dezembro de 2007 | 14h36

Os Estados Unidos disseram nesta sexta-feira, 21, que o programa secreto de armas nucleares suspenso pelo Irã em 2003, segundo informações dos serviços de inteligência norte-americanos, poderia ser retomado com facilidade devido às limitações impostas recentemente pelo país islâmico aos inspetores internacionais.   O enviado norte-americano na AIEA, Gregory Schulte, afirmou que o Relatório Nacional de Inteligência dos EUA (NIE) contém "novos indícios" de um projeto nuclear clandestino e que não há motivos para relaxar, mesmo que esse projeto tenha sido abandonado.   "Os líderes iranianos podem se decidir pela retomada do programa, como se decidiram pela retomada do enriquecimento de urânio (em 2006, após uma pausa de dois anos)", afirmou Schulte a repórteres convidados para uma entrevista.   O embaixador dos EUA junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contestou a indicação de que os dados descobertos pela inteligência norte-americana e divulgados no dia 3 de dezembro reduziam a urgência em controlar o programa nuclear do Irã por meio de inspeções, sanções internacionais e esforços diplomáticos.   "Não podemos ter certeza de que a AIEA teria ciência disso, em especial depois de o diretor-geral (da agência) ter alertado que os dados dela sobre as atividades atuais do Irã estão diminuindo." Schulte referia-se a restrições impostas aos inspetores da AIEA pelo Irã, no começo de 2006, como resposta pelos dois conjuntos de sanções impostos pela ONU. O governo iraniano diz que nunca buscou dominar a tecnologia nuclear para algo mais do que produzir eletricidade. Mas já tentou limitar os esforços investigativos da AIEA no passado e busca hoje angariar um estoque de urânio enriquecido, material que pode ser usado na fabricação de bombas. Teerã tem desobedecido a resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) determinando que suspenda seu programa atômico. Segundo o NIE, o Irã tentava desenvolver a capacidade técnica para produzir armas nucleares, mas abandonou esses esforços. A informação contradiz o presidente dos EUA, George W. Bush, para o qual o país islâmico tenta atualmente desenvolver armas atômicas. Schulte também afirmou que o Irã precisava cooperar para que a AIEA consiga completar uma análise sobre as atividades anteriores do país no setor nuclear. Diplomatas que trabalham junto à agência acreditam que essa investigação só terminará em janeiro ou fevereiro. "Continuamos esperando por uma declaração completa das atividades e agora, como resultado do NIE, acreditamos que há mais sobre o que relatar," disse Schulte. Segundo diplomatas, os dados do relatório da inteligência norte-americana devem dificultar os esforços realizados pelos EUA para impor sanções mais duras contra o Irã.

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