Irã prepara julgamento de 16 manifestantes, diz agência Fars

O Irã levará a julgamento em breve 16 pessoas detidas por causa das manifestações do mês passado contra o governo, disse a agência semioficial de notícias Fars na sexta-feira.

REUTERS

15 de janeiro de 2010 | 17h08

A agência não identificou os réus, mas disse que um deles é acusado de "moharebeh" - termo islâmico que significa guerrear contra Deus, o que acarreta a pena de morte.

Os demais são acusados de se reunirem com a intenção de perturbar a segurança nacional e de realizar atividades de propaganda contra as instituições islâmicas, segundo a Fars.

Paralelamente, o chefe nacional de polícia, Esmail Ahmadi-Moghaddam, alertou a oposição a não usar mensagens de texto por celular ou emails para organizar novos protestos.

"Comparecer a reuniões ilegais e protestos e insultar santidades (são atividades que) serão confrontadas", disse Ahmadi-Moghaddam à agência de notícias Isna. Segundo ele, os SMS e emails "estão completamente sob controle" e "os usuários não devem achar que usar 'laranjas' irá evitar sua identificação".

Foi a segunda vez nesta semana que autoridades alertam a oposição a não realizar novas manifestações. Sem jornais à sua disposição, adversários do governo já usaram a Internet e outros meios de comunicação para convocar suas atividades.

Os protestos começaram em junho, depois da eleição presidencial que a oposição diz ter sido fraudada. Durante várias semanas após a eleição, o uso de mensagens de texto por celular parecia bloqueado.

No final de dezembro, oito pessoas morreram em confrontos entre forças de segurança e seguidores do ex-candidato Mirhossein Mousavi, nos piores incidentes desde os protestos pós-eleitorais.

O site oposicionista Rahesabz disse neste mês que mais de 180 pessoas, inclusive 17 jornalistas, 10 assessores de Mousavi e alguns seguidores da proscrita religião baha'i, foram detidos depois das manifestações de dezembro, que coincidiram com a celebração xiita da Ashura.

"Os processos de 16 dos acusados presos na Ashura foram enviados à Corte Revolucionária de Teerã para consideração", disse a Fars, citando nota judicial. "Todos os 16 estão detidos. Seu julgamento começará em breve".

Na semana passada, a agência estatal Irna disse que cinco futuros réus são ligados à Organização Mujahideen Popular do Irã (Ompi), grupo exilado contrário ao regime islâmico iraniano. O procurador-chefe de Teerã diz também que seguidores da religião baha'i foram detidos por causa das manifestações de dezembro.

O despacho de sexta-feira da Fars não deixa claro se entre os 16 réus citados estão os supostos membros da Ompi ou os baha'is.

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