Irã prepara nova oferta para ocidente, diz chanceler

País afirma ter 'nova visão' sobre questões de política, segurança e relações internacionais

Efe e Reuters,

11 de julho de 2009 | 09h18

O Irã prepara um pacote para dialogar com o Ocidente a partir de uma nova visão de política, economia e segurança no mundo, anunciou neste sábado, 11, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki. Em coletiva de imprensa em Teerã, o chefe da diplomacia iraniana revelou que a nova proposta servirá de base para qualquer tipo de negociação futura.

 

"O pacote será uma boa base para dialogar com o Ocidente. Nele estará incluída a postura do Irã sobre questões de política, segurança e relações internacionais", disse o ministro. Mottaki não esclareceu, no entanto, se os novos termos são os mesmos que seu país preparava já em maio para apresentar ao grupo negociador, com o objetivo de abordar a polêmica nuclear.

 

Em 15 de junho, logo após anunciar sua polêmica vitória eleitoral, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ressaltou que a proposta mudaria e seria adaptada "à nova situação criada no país".

 

Programa nuclear

 

O grupo responsável pela negociação nuclear, integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, acusa o Irã de ocultar, sob um programa civil, outro projeto militar paralelo cujo objetivo seria a aquisição de arsenal atômico.

 

Na quarta-feira, 8, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou durante a reunião do G-8 na Itália que as principais potências mundiais esperarão até setembro para estudar as possibilidades de negociação com o Irã do tema nuclear ou decidir se endurecem as sanções. O presidente americano, Barack Obama, se expressou na sexta-feira, 10, na mesma linha que Sarkozy e advertiu que o Ocidente não está disposto a esperar de forma indefinida e que o Irã tem setembro como prazo.

 

Na primeira reação iraniana à declaração de Sarkozy, Mottaki disse que a República Islâmica não recebeu "nenhuma mensagem nova" do G-8. "Mas, baseados nas notícias que temos recebido, eles têm visões diferentes sobre temas diversos que não levaram a acordos unânimes em algumas áreas", afirmou.

 

Teerã disse que seu programa nuclear é totalmente pacífico e mantém sua postura desafiadora, afirmando que não cederá "sequer um passo" nessa área. Ao lado dos Estados Unidos, Rússia e China, os países da União Europeia ofereceram um pacote de incentivos econômicos e de outro tipo para o Irã deixar de enriquecer urânio, um processo que pode produzir combustível para usinas de energia ou, potencialmente, uma bomba nuclear.

 

O Irã descartou esse pedido em diversas oportunidades, afirmando que tem direito de desenvolver tais atividades como membro do tratado de não-proliferação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.