Irã prepara obra nuclear subterrânea, dizem fontes

O Irã se prepara para instalar centrífugas nucleares em um bunker subterrâneo, a fim de enriquecer urânio a níveis elevados, disseram fontes diplomáticas, num fato que deve aumentar a preocupação ocidental a respeito dos objetivos atômicos de Teerã.

FREDRICK DAHL, REUTERS

13 de julho de 2011 | 11h00

As obras preparatórias na usina de Fordow, construída dentro de uma montanha para que seja protegida em caso de ataques, já estão em andamento, e máquinas usadas para o refino de urânio em breve devem ser levadas para o local, perto da cidade religiosa de Qom, segundo essas fontes.

A República Islâmica anunciou em junho que iria transferir neste ano a produção de urânio enriquecido com 20 por cento de pureza da usina de Natanz para Fordow, e que triplicaria sua capacidade de purificação de urânio. A localização da usina dentro de uma montanha serve para impedir que ela seja destruída por um eventual bombardeio norte-americano ou israelense.

Potências ocidentais temem que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, mas Teerã alega que seus objetivos são apenas gerar energia para fins pacíficos.

O Irã revelou há dois anos a existência da sua usina de Fordow, que já havia sido detectada por agências ocidentais de inteligência, as quais a apontaram como evidência de atividades nucleares clandestinas. A usina ainda não está em operação.

"Eles estão preparando (a instalação das centrífugas) em Fordow", disse uma fonte diplomática.

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível de usinas nucleares ou, dependendo do seu grau de pureza, em armas atômicas. O Ocidente já impôs várias sanções ao Irã por causa do seu programa de enriquecimento, mas Teerã diz que não abrirá mão desse processo.

Até 2010, o Irã enriquecia urânio a 3,5 por cento de pureza, mas então anunciou que começaria a fazê-lo até 20 por cento. Isso causou apreensão entre os governos ocidentais, que viram a decisão como um passo significativo rumo ao enriquecimento de 90 por cento necessário para o uso militar.

O Irã diz que precisa do urânio enriquecido a 20 por cento para abastecer um reator de pesquisas médicas.

"O enriquecimento a partir do urânio natural para os 20 por cento é o passo mais demorado e que exige mais recursos na produção do urânio altamente enriquecido necessário para uma arma nuclear", escreveu nesta semana o chanceler britânico, William Hague, no jornal Guardian.

"E quando o urânio enriquecido a 20 por cento estiver acumulado na instalação subterrânea de Qom, levaria apenas dois ou três meses de trabalho adicional para convertê-lo em material para uso em armas."

(Reportagem adicional de Sylvia Westall)

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