Irã pressiona mulher condenada ao apedrejamento a dar nomes de defensores

Inteligência quer saber como foto de Sakineh foi distribuída e quem mantém site de campanha

estadão.com.br

22 de julho de 2010 | 09h39

LONDRES - O governo do Irã está pressionando a iraniana sentenciada à morte por apedrejamento para que ela revele os nomes das pessoas envolvidas em uma grande campanha por sua libertação, informa nesta quinta-feira, 22, a versão digital do jornal The Guardian.

 

O caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani ganhou atenção da comunidade internacional depois de seus filhos lançarem uma campanha por sua libertação. Depois de protestos contra a sentença no mês passado, o Judiciário iraniano disse que ela não seria morta por apedrejamento, mas ainda assim enfrentava a pena capital.

 

Sakineh, de 43 anos, foi interrogada na prisão de Tabriz sobre as pessoas que estão em contato com sua família e como sua foto foi distribuída para a mídia internacional, informa o jornal. A imagem se tornou um símbolo para os ativistas que lutam contra as sentenças de apedrejamento no Irã.

 

"Sakineh esteve sob grande pressão desde que o mundo passou a dar atenção ao seu caso", disse uma fonte próxima de sua família ao Guardian. "Recentemente ela foi interrogada e aconselhou seus filhos a ficar em silêncio ou seriam presos também. A pressão internacional é a única esperança para a libertação de Sakineh", disse.

 

O advogado de Sakineh, Mohammad Mostafaei, recebeu uma carta do serviço de inteligência iraniano convocando-o para uma reunião na prisão de Evin nos próximos três dias para "esclarecer certos assuntos". O advogado é um dos mais proeminentes no Irã e se ofereceu voluntariamente para cuidar do caso.

 

Sakineh recebeu 99 chibatadas, mas foi posteriormente acusada de adultério durante o julgamento de um homem acusado de matar seu marido. O Judiciário disse que Sakineh será executada porque "é acusada de assassinato".

 

Mostafaei divulgou um comunicado dizendo que Sakineh foi absolvida pelo assassinato e que a pena capital não foi mencionada em sua sentença final. Segundo ele, a Justiça disse que o caso seria revisado em um tribunal nos próximos 20 dias, mas o destino da iraniana segue incerto.

 

Campanha

 

Diferentemente de outros casos de apedrejamento no Irã, quando mulheres condenadas por adultério são abandonadas pela família, os filhos de Sakineh lançaram uma grande campanha por sua mãe. Sajad, seu filho de 22 anos, que inicialmente escreveu uma carta aberta ao governo pedindo a libertação de sua mãe, recebeu um comuniado do governo pedindo que desligasse seu telefone celular e não falasse com a mídia. A inteligência iraniana o convocou duas vezes na semana passada.

 

O site freesakineh.org, destinado a reunir assinaturas contra a execução da iraniana, já reuniu mais de 120 mil adeptos à libertação de Sakineh. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e uma série de outras figuras públicas já deixaram seus nomes na página.

 

Segundo o Guardian, outros 15 iranianos aguardam a execução por apedrejamento. Um grupo de ativistas, o Irã Solidário, está organizando uma série de protestos no próximo sábado, 24, em apoio a Sakineh.

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