Irã proíbe mídia estrangeira de cobrir aniversário da Revolução

Jornalistas estão liberados apenas para companhar discurso de Ahmadinejad; oposição deve realizar protestos

estadao.com.br,

10 de fevereiro de 2010 | 14h13

As autoridades iranianas comunicaram aos jornalistas que trabalharam para órgãos de imprensa estrangeiros no Irã que não terão o direito de cobrir na quinta-feira, 11, os desfiles comemorativos do 31º aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

 

A imprensa estrangeira está autorizada a cobrir somente o discurso do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que será feito pela manhã na Praça Azadi, na região sudoeste de Teerã, disse uma fonte oficial à agência de notícias AFP.

 

Os jornalistas, porém, não poderão seguir os sete desfiles que percorrerão avenidas da capital iraniana até a Praça Azadi. Está prevista a participação de centenas de milhares de pessoas nas comemorações. A oposição também devem realizar manifestações e protestos ao mesmo tempo que ocorrerem os desfiles.

 

Nos últimos meses, as autoridades proibiram a mídia estrangeira de cobrir manifestações oficiais nas quais participaram ativistas da oposição, mas é a primeira vez que a proibição recai sobre as comemorações governistas da Revolução Islâmica.

 

Os principais líderes da oposição convocaram seus seguidores a participar nas manifestações, o que levou as autoridades a fazerem várias advertências contra toda e qualquer "tentativa de quebrar a unidade do regime" neste dia.

 

O movimento de oposição surgido após a polêmica reeleição de Ahmadinejad em 12 de junho, também proibido de protestar, tenta aproveitar todas as concentrações dos partidários governistas para realizar manifestações e chamar atenção da comunidade mundial sobre a situação no Irã.

 

As últimas manifestações da oposição organizadas no dia 27 de dezembro nas grandes cidades do Irã em comemoração ao Ashura foram reprimidas pelas forças de segurança. Cerca de mil pessoas foram detidas e houve a confirmação de oito mortos.

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