Irã promete manter caminho nuclear, apesar de sanções

Líderes iranianos prometeram naquarta-feira manter o polêmico programa nuclear do país, apesarda iminência de novas sanções da ONU, definidas na vésperapelas grandes potências. "A nação iraniana escolheu o seu caminho e vai continuarcom ele", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad à agênciaestudantil Isna, qualificando de "ilegal" o comportamento daspotências ocidentais. Os Estados Unidos e outras potências ocidentais suspeitamque o Irã possa desenvolver armas nucleares, o que a RepúblicaIslâmica nega, alegando que seu objetivo é apenas gerareletricidade para fins civis. O Conselho de Segurança da ONU já impôs sanções ao programanuclear iraniano em dezembro de 2006 e março de 2007. Naterça-feira, as seis potências reunidas em Berlim decidiram umterceiro pacote, mas sem as punições financeiras defendidas porWashington. Rússia e China, que têm interesses comerciais no Irã,endureceram sua relutância contra as novas sanções depois de umrelatório de inteligência norte-americano, em de dezembro, queadmitiu que desde 2003 Teerã suspendeu seu programa de armasnucleares. A nova resolução deve ser apresentada nas próximas semanasaos demais membros do Conselho de Segurança da ONU. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o texto não éduro nem punitivo, e "saúda o progresso feito entre o Irã e aAgência Internacional de Energia Atômica." "As medidas neste esboço não têm um caráter de durosancionamento", declarou Lavrov na quarta-feira. Segundo ele, aresolução "pede aos países que fiquem em alerta em suasrelações de transportes com o Irã para que tais relações nãosejam usadas para transportar materiais potencialmenteperigosos." Após semanas de retórica inflamada, a secretárianorte-americana de Estado, Condoleezza Rice, adotou uma posturamais conciliadora, repetindo a oferta de normalizar as relaçõescom o Irã caso o país abandone atividades nuclearesestratégicas. "Se o Irã suspendesse suas atividades de enriquecimento ereprocessamento de urânio --o que é uma exigênciainternacional, não só norte-americana-- então começaríamosnegociações, e poderíamos trabalhar ao longo do tempo paraconstruir uma nova relação, mais normal", disse ela no FórumEconômico Mundial em Davos, na Suíça. (Por Zahra Hosseinian e Henrique Almeida)

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