Irã propõe grandes modificações em acordo nuclear da ONU--jornal

O Irã deu uma resposta formal nesta quinta-feira ao esboço de acordo sobre combustível nuclear proposto pela ONU, pedindo grandes modificações que podem afundar o plano, entre elas enviar seu urânio levemente enriquecido ao exterior em etapas e não de uma única vez, divulgou a mídia iraniana.

REZA DERAKHSHI, REUTERS

29 de outubro de 2009 | 13h11

De acordo com a televisão estatal Alam, Teerã apresentou sua resposta ao chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei. A agência nuclear da ONU confirmou o recebimento de uma "resposta inicial" de Teerã.

Em artigo que não cita suas fontes, o diário pró-governo Javan disse que o Irã quer fazer envios de urânio levemente enriquecido em etapas, para ser convertido em combustível para o reator de pesquisas de Teerã, e simultaneamente quer importar combustível enriquecido em grau mais alto para atender às necessidades do mesmo reator.

As condições colocadas provavelmente serão rejeitadas pelas potências ocidentais, que suspeitam que a República Islâmica esteja secretamente buscando dotar-se da capacidade de fabricar armas nucleares. Teerã diz que seu programa nuclear visa unicamente a geração de eletricidade.

Pelo esboço de acordo traçado pelo chefe da AIEA em conversações realizadas na semana passada entre o Irã e três grandes potências, Teerã transferiria para a Rússia em um só lote cerca de 75 por cento das 1,5 toneladas do urânio que se sabe que possui, para ser enriquecido em grau mais alto pela Rússia até o final deste ano, e então o transferiria para a França para ser convertido em chapas de combustível.

Estas chapas seriam devolvidas a Teerã para mover o reator de construção norte-americana que produz rádio-isótopos para o tratamento de câncer.

A participação dos EUA no acordo envolveria a modernização da segurança e instrumentação no reator, disseram autoridades iranianas.

RECUSA PROVÁVEL

É provável que as potências ocidentais rejeitem as emendas propostas por Teerã porque a prioridade delas é reduzir o estoque de urânio de baixo enriquecimento iraniano, para evitar o perigo de que o Irã possa convertê-lo no urânio altamente enriquecido necessário para a fabricação de uma bomba atômica.

O envio da maior parte do urânio ao exterior garantiria um prazo adicional de mais ou menos um ano para as negociações sobre a suspensão do enriquecimento no Irã em troca de incentivos para buscar uma solução de longo prazo à disputa nuclear.

As potências ocidentais vão considerar problemática a contra-oferta iraniana envolvendo importações de combustível, porque as sanções da ONU proíbem o comércio de materiais nucleares -- incluindo urânio enriquecido -- com Teerã.

O Irã vê essas sanções como sendo ilegais e injustas.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad reiterou na quinta-feira que o Irã não vai retroceder em seu direito a ter um programa nuclear soberano.

Mas, disse ele em discurso em Mashhad, cidade do nordeste do país, "felizmente, foram preparadas as condições para uma cooperação internacional no campo nuclear."

"Saudamos a cooperação sobre combustível nuclear, usinas e tecnologia, e estamos dispostos a cooperar," disse ele, sem especificar se o Irã aceitaria o acordo ou exigiria modificações.

O esboço de acordo emergiu de conversações que se seguiram a uma reunião realizada em 1o de outubro em Genebra, onde o Irã também disse às seis grandes potências que abriria aos inspetores da ONU uma usina de enriquecimento cuja existência acabara de revelar.

Quatro inspetores seniores da AIEA retornaram a Viena na quinta após uma primeira visita ao local, e o chefe da equipe disse que "fizemos uma viagem boa," mas não deu maiores informações. Maiores detalhes provavelmente serão vistos no próximo relatório trimestral da AIEA sobre o Irã, que deve sair em meados de novembro.

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