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Irã propõe liberdade condicional para francesa detida no país

Governo sugere que universitária permanela na embaixada da França até o final do processo pelos protestos

11 de agosto de 2009 | 10h42

O Irã propôs colocar em liberdade condicional a cidadã francesa Clotilde Reiss, detida no país desde 1º de julho por ter participado das manifestações contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, informou nesta terça-feira, 11, o embaixador iraniano em Paris. O julgamento no Tribunal Revolucionário de Teerã agravou o confronto diplomático entre o Ocidente e o governo iraniano.

 

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Para se beneficiar desta medida, Clotilde, acusada de espionagem por ter "reunido informações" e "encorajado manifestantes" durante as semanas de protestos, terá que ficar na Embaixada da França em Teerã até o final do processo judicial contra ela na capital iraniana, disse o diplomata à emissora Rádio França Internacional (RFI). O governo francês ainda não respondeu se admite as condições impostas por Teerã para esta libertação condicional.

 

Paris mobilizou suas redes diplomáticas para conseguir a libertação da jovem, cuja detenção foi qualificada pelo ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, de "injusta" e baseada em "acusações infundadas". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também se envolveu no assunto e acompanha de perto os movimentos para a libertação da francesa, segundo fontes próximas.

 

Segundo o embaixador iraniano na França, Seyed Mehdi Miraboutalebi, afirmou que o governo de Teerã não obteve resposta sobre a proposta. Segundo a Justiça iraniana, a jovem admitiu ter redigido "um relatório" - na realidade, um e-mail - de uma página, que teria sido encaminhado ao Instituto Francês de Pesquisas no Irã (Ifri), um centro ligado à embaixada. Afshar afirmou ter oferecido a manifestantes abrigo na representação francesa em Teerã, enquanto Rassan declarou que seus superiores hierárquicos na embaixada britânica ordenaram a participação de todos nos protestos. "Não se trata de um relatório, mas de uma nota muito breve e de caráter pessoal na qual descreve o que acontecia", disse Kouchner.

 

A audiência do tribunal e as declarações do governo só aumentaram a tensão com a oposição interna e com o Ocidente. Os depoimentos foram denunciados por líderes da oposição iraniana como sendo parte de "um processo-espetáculo" contra réus cujos direitos foram "violados". Oposicionistas como Mir Hossein Moussavi, derrotado por Ahmadinejad na eleição, e o ex-presidente reformista Mohammad Khatami também correm o risco ser levados a julgamento.

 

(Com Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo)

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