Sajjad Safari/Reuters
Sajjad Safari/Reuters

Irã quer punir Ocidente por sanções

Ahmadinejad diz que potências deveriam se portar como 'crianças educadas' na mesa de diálogo

Associated Press

16 de junho de 2010 | 11h03

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta-feira, 16, que ele anunciará em breve novas condições para negociações com o Ocidente. Mas primeiro, ele quer punir as potências mundiais por impor sanções a Teerã e forçá-las a "sentar na mesa de negociações como uma criança educada e conversar com nação iraniana".

 

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma nova rodada de sanções contra o Irã ma semana passada por sua recusa em frear seu programa nuclear, o qual os EUA e seus aliados suspeitam de ter objetivos para usos militares, fato que o Irã nega.

 

O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que o Irã é favorável a um diálogo com o Ocidente, mas que irá anunciar suas condições em breve. Ele disse que políticas de trocas não funcionam e que o Irã "não vai ceder em nada nas concessões" ao Ocidente.

 

"Vocês mostraram um mau temperamento, renegaram suas promessas e recorreram a maneiras diabólicas", disse sobre as potências que impuseram sanções. "Nós colocamos condições (para as negociações) para que, a desejo de Deus, vocês sejam punidos um pouco e sentem na mesa de negociação como uma criança educada", disse para uma multidão durante uma visita à cidade central de Shahr-e-Kord. Seu discurso foi transmitido ao vivo na televisão estatal.

 

Ahmadinejad atacou também os EUA, dizendo que o Irã precisa salvar os americanos de "seu governo não-democrático e 'bullying'". Ele apontou que não há liberdade nos Estados Unidos e que jornais americanos não são autorizados a escrever nada contra Sionistas ou fazer manifestações contra "crimes" cometidos pelo seu governo

 

O presidente iraniano estava reagindo a um convite da chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, para o negociador-chefe iraniano, Saeed Jalili, discutir a questão nuclear. Ao mesmo tempo, porém, ministros da UE acordaram nesta segunda-feira a recomendação de sanções adicionais sobre a questão nuclear.

 

As sanções da ONU foram impostas devido à recusa do Irã em suspender o enriquecimento de urânio, um processo que pode ser usado tanto na produção de combustível nuclear para usinas nucleares ou armas nucleares. As punições têm como alvo a poderosa Guarda Revolucionária do país, o seu programa de mísseis balísticos e de investimentos no domínio nuclear.

 

Ahmadinejad rejeitou as sanções como "moscas irritantes" e como tão inúteis como um "um lenço usado"

 

O porta-voz do parlamento iraniano, Ali Larijani, disse nesta quarta-feira que os legisladores apoiam a pressão do governo para enriquecer urânio a níveis mais altos como uma resposta aos "países-bullying".

 

Além programa já estabelecido do Irã que produz urânio pouco enriquecido, o país começou a enriquecer a quase 20 por cento através de um programa de pequena escala utilizando como matéria-prima estoque de baixo enriquecimento. Esse programa adicionou preocupações com as atividades nucleares iranianas.

 

É muito mais fácil produzir urânio altamente enriquecido, o urânio para armas de uso em ogivas nucleares de material de 20 por cento do que de urânio pouco enriquecido. O Irã justificou a sua decisão de aumentar o enriquecimento, dizendo que seria parte de um processo para gerar combustível para um reator de pesquisa, produzindo isótopos médicos depois que um acordo destinado a fornecer este combustível vindo do estrangeiro caiu.

 

Larijani também advertiu que o Irã vai retribuir se os EUA ou em outros países inspecionarem aviões ou navios iranianos, de acordo com novas sanções.

 

"Queremos advertir os Estados Unidos e alguns países aventureiros que se eles se sentirem tentados a inspecionar aviões iranianos e navios, devem ter a certeza que vamos retribuir (por inspeção) os seus navios no Golfo Pérsico e no Mar de Omã", disse .

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