Irã rebate ameaça de guerra feita por chanceler francês

Imprensa iraniana diz que Paris não só imita como usa tom mais inflamado e ilógico do que o de Washington

Agências internacionais,

17 de setembro de 2007 | 11h26

O alerta do ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, de que mundo precisaria se preparar para uma guerra por conta do programa nuclear do Irã, incentivou a revolta da imprensa iraniana. Segundo a agência oficial da República Islâmica, Paris estaria imitando os Estados Unidos.   Veja também:  ElBaradei critica possibilidade de guerra contra o Irã  Mundo deve se preparar para guerra ao Irã, diz França   "Temos que nos preparar para o pior, e o pior é a guerra", disse Kouchner em entrevista a emissoras de rádio e televisão francesas. O ministro disse ainda que o governo francês pediu para que grandes empresas do país, como a Total e a Gaz de France, não iniciem novos contratos no Irã.   O programa nuclear iraniano continua sendo debatido em Viena, na conferência anual da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA). Teerã nega a intenção de produzir armas nucleares, e afirma que seu projeto pretende produzir apenas energia nuclear para propósitos civis, como a geração de eletricidade.   Porém, o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou as metas da ONU para interromper o enriquecimento de urânio, que os EUA e outros países do Ocidente temem que possa ser convertido em um projeto de armas nucleares.   Kouchner afirmou que a prioridade agora deveria ser negociar até o fim. Mas ele ressaltou que se o Irã tiver armas nucleares, "isso vai representar um perigo real para o mundo".   A imprensa iraniana respondeu com desprezo. "Os ocupantes do Eliseu (o palácio presidencial francês) tornaram-se executores das vontades da Casa Branca e adotaram um tom que é maior, mais inflamado e ilógico do que Washington".   No entanto, de acordo com o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, a população iraniana acredita que os Estados Unidos estão muito envolvidos no Iraque e no Afeganistão para lançar mais uma guerra na região.   Apoio russo   Nesta segunda-feira, Kouchner está na Rússia, onde deve tentar conseguir o apoio de Moscou para a imposição de sanções mais duras pelo Conselho de Segurança. Moscou tem poder de veto no grupo e pode impedir a adoção das novas medidas ao país.   Kouchner disse ainda que mesmo que a ONU não aprove as medidas contra Teerã, a União Européia deveria preparar suas próprias limitações.   "Enquanto continuam as negociações, devemos preparar eventuais sanções fora do âmbito daquelas adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU. E foram nossos amigos alemães que sugeriram isso", disse.   Até agora, o Conselho de Segurança impôs sanções econômicas contra o Irã, mas não permitiu uma ação militar. Os Estados Unidos não descartaram a hipótese de um ataque ao país para impedi-lo de desenvolver armas nucleares.   Mohamed ElBaradei, chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta  segunda-feira que as ameaças de ação militar contra o Irã por causa do programa nuclear do país são sensacionalistas e prematuras, e indicou que medidas para endurecer as sanções contra a República Islâmica podem ser contraproducentes.   As potências ocidentais estão irritadas com o novo acordo entre ElBaradei e o Irã, que exige que os iranianos respondam a perguntas sobre pesquisas nucleares do passado, mas que não trata campanha de enriquecimento de combustível atômico. Elas acham que o Irã pode estar iludindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para ganhar tempo e dominar a tecnologia.

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