Irã reduz estoque de combustível nuclear, aponta AIEA

O Irã trabalhou para reduzir o seu estoque de combustível nuclear mais perigoso em quase 75 por cento ao implementar um pacto histórico com as potências mundiais, mas uma instalação em planejamento que o país precisará para cumprir o acordo de seis meses foi adiada, informou um relatório da Organização das Nações Unidas nesta quinta-feira.

FREDRIK DAHL, Reuters

17 de abril de 2014 | 20h52

A atualização mensal da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tem um papel central na comprovação de que o Irã está cumprindo sua parte do trato, deixou claro que até agora o país está tomando as atitudes acordadas para reduzir seu programa nuclear.

Como resultado, o Irã vem ganhando acesso gradual a alguns fundos no exterior bloqueados até recentemente. Em Washington, o Departamento de Estado disse que os Estados Unidos adotaram medidas para liberar uma parcela de 450 milhões de dólares de fundos iranianos congelados na esteira da divulgação do relatório.

Além disso, o Japão fez mais dois pagamentos totalizando 1 bilhão de dólares para o Irã pela importação de petróleo bruto, afirmaram duas fontes familiarizadas com as transações.

Sob os termos do acordo inédito que entrou em vigor em 20 de janeiro, o Irã interrompeu alguns aspectos de seu programa nuclear em troca de um alívio limitado das sanções internacionais que abateram a economia do grande produtor de petróleo.

O acordo foi concebido para dar tempo para as negociações de um pacto de longo prazo na disputa de mais de uma década em torno das atividades nucleares que o Irã diz serem pacíficas, mas que o Ocidente alega que podem estar secretamente direcionadas ao desenvolvimento de uma bomba atômica.

As conversas, possibilitadas pela eleição do presidente pragmático Hassan Rouhani no ano passado depois de anos de confrontação com o Ocidente sob seu antecessor linha dura, Mahmoud Ahmadinejad, começaram em fevereiro e almejam chegar a um acordo até 20 de julho. Washington não descartou a ação militar contra o Irã se a diplomacia fracassar.

O relatório da AIEA mostrou que o Irã - como estipulado no acordo de 24 de novembro com EUA, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia - diluiu metade de sua reserva de urânio altamente enriquecido para um conteúdo físsil menos passível de ser usado em bombas. Um dos pagamentos do Japão, no valor de 450 milhões de dólares em 15 de abril, estava condicionado ao cumprimento desta meta.

Teerã também continuou a converter a outra metade de seu estoque de gás de urânio refinado a um grau de pureza de vinte por cento - um passo técnico relativamente curto para o grau de noventa por cento requerido para armas - em óxido para fabricar combustível de reatores.

No total, nos últimos três meses o Irã diluiu ou acrescentou ao processo de conversão quase 155 quilos de seu gás de urânio altamente enriquecido, que chegava a 209 quilos quando o acordo entrou em vigor, um pouco menos que os aproximados 250 quilos que especialistas dizem serem necessários para uma bomba, se mais refinados.

Isso será visto pelos países ocidentais como um desenvolvimento positivo, já que aumenta o prazo que o Irã precisaria para acumular material físsil suficiente para o núcleo de uma arma nuclear. A República Islâmica tem insistido que refina o urânio para abastecer somente reatores nucleares, não bombas.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Marie Harf, disse que "todas as partes mantiveram os compromissos assumidos" nos termos do acordo de 24 de novembro. Harf afirmou que "à medida que o Irã mantiver seus compromissos", os EUA e seus parceiros internacionais "continuarão a manter os seus também".

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