Irã reitera que não prevê mudança em relação com EUA

Governo rejeita ideia de Obama de que Turquia poderia mediar diálogo sobre programa nuclear

Reuters e Efe,

08 de dezembro de 2009 | 12h00

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, voltou a ressaltar nesta terça-feira, 8, que, no momento atual, não existe nenhuma opção de reconduzir a relação com os EUA.

 

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Em sua entrevista coletiva semanal, Mehmanparast insistiu também em que seu país está "preparado" para se defender no caso de um ataque militar, em resposta a uma pergunta sobre futuras manobras militares conjuntas de americanos e israelenses.

 

"Não se pode discutir agora se foi cancelada ou não, porque a questão do diálogo com os EUA nem sequer chegou a ser colocada", disse.

 

Segundo Mehmanparast, o fato de que altos cargos dos EUA tenham sentado à mesma mesa com responsáveis iranianos durante o diálogo nuclear não mudou a situação.

 

Americanos e iranianos romperam laços diplomáticos em abril de 1980, em meio à crise pelo ataque de estudantes revolucionários islâmicos à Embaixada dos EUA em Teerã, onde retiveram 52 pessoas durante 444 dias.

 

Logo após tomar posse, o presidente americano, Barack Obama, expressou seu desejo de iniciar um novo capítulo nas relações com o Irã se o regime dos aiatolás "abrisse o punho".

 

Rejeição

 

Em resposta às declarações de Obama de que a Turquia poderia ser "um importante" agente na mediação das negociações entre a comunidade internacional e o Irã sobre o programa nuclear da República Islâmica, o governo iraniano não se mostrou aberto à proposta.

 

"Já expressamos nossa opinião sobre isso e a Turquia acha que pode ajudar a resolver a questão. Mas não achamos que nossas visões transparentes devam ser interpretadas por outros países", disse em entrevista à imprensa Mehmanparast.

 

O Irã rejeitou o acordo proposto pelos membros do Conselho de Segurança da ONU - França, EUA, China, Rússia, Reino Unido - e da Alemanha de enviar urânio ao exterior e recebê-lo de volta enriquecido a níveis seguros para produção de energia elétrica.

 

No final de novembro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução condenando o Irã por não cooperar com as investigações sobre o programa nuclear. Em resposta, a República Islâmica anunciou que construiria mais dez usinas de enriquecimento de urânio.

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