Irã rejeita sugestão de participar 'à margem' de conversações sobre Síria

O Irã pareceu ter descartado nesta segunda-feira a possibilidade de participar das conversações de paz sobre a Síria no fim deste mês, rejeitando assim uma sugestão dos Estados Unidos de que poderia tomar parte "à margem", por considerar que isso seria um desrespeito à dignidade do país.

PARISA HAFEZI E ARSHAD MOHAMMED, Reuters

06 de janeiro de 2014 | 17h12

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sugeriu no domingo que poderia haver meios de o Irã poder "contribuir à margem" da chamada conferência de paz Genebra 2, marcada para 22 de janeiro, na Suíça. Nesta segunda-feira, altos funcionários norte-americanos disseram ainda que o governo iraniano poderia desempenhar um papel importante.

Embora tenha havido uma melhora nas relações dos EUA com o Irã recentemente, incluindo um acordo em 24 de novembro para a contenção do programa nuclear iraniano, não há sinais evidentes de que isso tenha resultado em melhorias em outras questões, como a Síria, onde os dois países apoiam lados opostos na guerra civil.

Kerry reiterou a oposição dos EUA a que o Irã participe formalmente das conversações de paz pelo fato de o governo iraniano não apoiar um acordo internacional, de 2012, sobre a Síria, chamado "Genebra 1".

O acordo Genebra 1 previa que o governo sírio e a oposição formassem um governo de transição "por consentimento mútuo", uma expressão que, segundo os EUA, significa que o presidente sírio, Bashar al-Assad, não estaria incluído. No entanto, a Rússia, um dos patrocinadores do plano, contesta essa interpretação dos norte-americanos.

Autoridades dos EUA disseram nesta segunda-feira que o Irã poderia ampliar sua chance de ter um papel à margem das negociações se convencer o governo sírio a parar de bombardear civis e a melhorar o acesso humanitário às áreas em conflito.

"Há passos que o Irã poderia tomar para mostrar à comunidade internacional que está sendo sério quanto a desempenhar um papel positivo", disse um dos altos funcionários dos EUA, em Bruxelas. "Isso inclui pedir ao regime sírio que ponha fim ao bombardeio de seu próprio povo. Inclui pedir e encorajar o acesso humanitário."

Outra autoridade deixou claro que o comentário sobre o bombardeio se referia à maior cidade da Síria, Aleppo, onde dezenas de pessoas foram mortas em ataques nos quais a Força Aérea síria tem usado bombas improvisadas, feitas com barris contendo explosivos e outros materiais.

No entanto, o Irã não deu nenhum indício de que esteja prestes a tomar alguma dessas medidas, disse uma autoridade dos EUA, acrescentando que há outras nações que se opõem à participação do país nas conversações. O funcionário não identificou, mas provavelmente seriam Estados do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, rival regional do Irã.

Em declarações citadas pela televisão estatal, a porta-voz do Ministério do Exterior iraniano disse que Teerã apoiou uma solução política para acabar com a guerra civil síria em que pelo menos 100 mil pessoas foram mortas e milhões deslocadas.

"Mas, a fim de participar da conferência chamada Genebra 2, a República Islâmica do Irã não vai aceitar qualquer proposta que não respeite a sua dignidade", disse a porta-voz, Marzieh Afkham, de acordo com a TV.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; e de Louis Charbonneau, em Nova York)

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