Irã: relatório da AIEA é 'ambíguo para justificar pressão política'

Agência nuclear desconfia de novas instalações atômicas do Irã e diz que regime não coopera o suficiente

estadao.com.br,

17 Novembro 2009 | 08h21

Irã criticou o recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que na sua opinião apresenta ambiguidades cujo objetivo é justificar pressões políticas. Em declarações divulgadas pela agência de notícias local estudantil Isna, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, afirmou também que o Irã acredita que o assunto deve ser discutido apenas no âmbito da agência da ONU.

 

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Em um relatório divulgado na segunda-feira, a agência internacional criticou o Irã por não cooperar o suficiente para esclarecer os assuntos mais controvertidos de seu programa nuclear e advertiu que sua informação sobre algumas dessas atividades está diminuindo. Além disso, denunciou que o regime dos aiatolás não oferece respostas convincentes aos assuntos mais delicados, como as possíveis dimensões militares de seu programa nuclear e a origem de uma nova planta de enriquecimento de urânio que constrói há anos "de forma clandestina" sob uma colina. O organismo ainda desconfia que o regime iraniano esteja ocultando novas instalações nucleares enquanto negocia com o Ocidente.

 

O porta-voz ofereceu uma interpretação distinta do relatório, que na sua opinião "volta a confirmar que as atividades nucleares do Irã não se desviaram de seus objetivos pacíficos e que não se perceberam atividade militar no trabalho nuclear iraniano". "O único ponto no qual se insistiu no relatório é que o Irã não pôs em prática o protocolo adicional apesar das normas do Conselho de Segurança. Mesmo assim achamos que não existe base legal para que a questão nuclear iraniana seja tratada pelo Conselho de Segurança em vez da AIEA", disse.

 

Grande parte da comunidade internacional acusa ao regime iraniano de ocultar, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e para aplicação militar cujo objetivo seria adquirir armas nucleares, alegações que Teerã rejeita. A divulgação do relatório ocorre no momento em que o Ocidente espera por uma resposta oficial de Teerã para uma proposta segundo a qual Ahmadinejad enviaria 75% de seu urânio de baixo enriquecimento para ser processado em duas etapas, na Rússia e na França.

 

O relatório da AIEA diz que os inspetores descobriram a instalação de Qom "em estágio avançado" de construção, mas sem centrífugas e sem material nuclear. O regime iraniano teria informado aos inspetores que pretendia dar início às operações somente em 2011. Diplomatas ocidentais dizem que a capacidade de enriquecimento de urânio de Qom - onde se estima que existam 3 mil centrífugas - não faz sentido para um local que pretende ter uso exclusivamente civil. Ela seria pequena demais para alimentar uma usina de produção de energia, mas teria capacidade suficiente para produzir uma ou duas bombas atômicas por ano.

 

O governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse à AIEA que a instalação de Qom foi mantida em segredo para evitar que o local fosse atacado por "governos inimigos", numa referência velada aos israelenses. Teerã admitiu que a instalação começou a ser erguida em 2007. A AIEA, entretanto, tem evidências de que a construção foi iniciada em 2002, parou em 2004 e seguiu adiante em 2006, ficando, portanto, sete anos sob segredo.

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