Irã resistirá e defenderá programa nuclear, diz Ahmadinejad

Em seu discurso na ONU, presidente iraniano critica interferência americana e cita tensões na Bolívia

Agências internacionais,

23 de setembro de 2008 | 18h45

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse nesta terça-feira, 23, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, que alguns países "ameaçam" frustrar as pacíficas ambições nucleares do Irã, mas que seu país irá resistir e defender seu direito ao poder atômico. "O grande povo iraniano irá resistir às ameaças e defenderá seus direitos", declarou, explicando que a nação "está aberta ao diálogo", mas que "não aceitará demandas ilegais."   Veja também: Bush pede por sanções contra Irã e Coréia do Norte na ONU   Ahmadinejad afirmou nesta terça que há uma crescente resistência no mundo para a agressão e imperialismo das "nações ameaçadoras", uma frase que ele usou repetidamente para se referir aos Estados Unidos e seus aliados.   "Na América Latina, o povo encontra sua segurança, interesses nacionais e culturas seriamente ameaçadas pela sombra de governos estrangeiros dominantes, incluídos pelas embaixadas de alguns impérios", continuou o chefe de Estado iraniano, em uma clara referência às tensões entre o governo boliviano e a embaixada americana no país andino.   "O império americano no mundo está chegando ao fim da linha, e os próximos dirigentes devem limitar sua interferência a suas próprias fronteiras", acrescentou Ahmadinejad. Sobre Israel, que no passado ele declarou que deveria ser "varrido do mapa", ele disse que "hoje, o regime sionista inclina-se para uma ladeira definitiva para o colapso."   Em relação ao Iraque, o presidente do Irã afirmou que há seis anos o regime de Saddam Hussein foi deposto, mas "os invasores continuam lá". "Milhões têm sido mortos ou deslocados, e os invasores, sem senso de vergonha, ainda tentam solidificar suas posições na região e dominar o petróleo."   Em seu discurso na Assembléia nesta terça-feira, o presidente americano George W. Bush acusou a Síria e o Irã de continuar apoiando o terrorismo. Regimes como os de Damasco e Teerã "seguem apoiando o terrorismo e, no entanto, seu número diminui e cada vez estão mais isolados", declarou.   O presidente americano pediu para "permanecer atentos contra a proliferação" nuclear que possa ser realizada pela Coréia do Norte e pelo Irã, e pediu aos países membros da ONU o cumprimento das sanções do Conselho de Segurança contra os programas nucleares desses dois países.   Crise americana   Ahmadinejad disse em entrevista publicada nesta terça pelo jornal Los Angeles Times que deseja que o próximo presidente americano abandone "a lógica da força" empregada por Bush.   "O governo dos EUA cometeu uma série de erros, e o primeiro é impor sobre a economia americana uma extensa intervenção militar no mundo todo, como a guerra no Iraque", disse. O presidente iraniano advertiu que a economia mundial não pode tolerar mais o "déficit fiscal e pressões financeiras dos mercados dos EUA e do governo americano."   Ahmadinejad considerou que qualquer novo governo americano deve "mudar o enfoque político" de seu antecessor e garantiu que está disposto a conversar com quem vencer as eleições de 4 de novembro nos EUA. "Queremos ter relações amistosas", destacou.

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