Irã responde à proposta da UE para fim de programa nuclear

Documento foi entregue por embaixador em Bruxelas; fontes dizem que carta não menciona fim do projeto

Reuters e Associated Press,

05 de agosto de 2008 | 07h36

Três dias depois de expirar o prazo informal dado pelas potências ocidentais para que o Irã desse uma resposta para a oferta de benefícios diplomáticos e econômicos pelo fim de seu programa nuclear, Teerã enviou sua contestação nesta terça-feira, 5, segundo informou a agência de notícias iraniana Fars. O embaixador iraniano em Bruxelas entregou aos representantes da União Européia (UE) a resposta por escrito à oferta, ainda que o conteúdo do documento não seja conhecido. Um responsável iraniano afirma que não foi dada uma resposta à proposta ocidental e que não se menciona o congelamento das atividades atômicas.   Não se espera mais do que uma resposta que permita manter abertas as negociações. Na segunda-feira, uma conversa telefônica entre o negociador iraniano, Said Jalili, sobre a oferta foi qualificada como "decepcionante" e "inconclusiva", além do anuncio de que seria entregue o documento por escrito, esperado para esta terça.   Detalhes da carta ainda são desconhecidos, ainda que um alto funcionário do governo iraniano tenha dito sob anonimato para a Reuters que o congelamento das atividades nucleares, como exigem as potências ocidentais, não foi mencionado. Além disso, "a carta não é uma resposta para a oferta do Ocidente".   Os países envolvidos nas negociações com o Irã, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha, disseram que diante da "falta de uma resposta clara e positiva", não haveria outra opção a não ser impor novas sanções ao governo iraniano.   A idéia da suspensão do programa nuclear iraniano tem o objetivo de estabelecer discussões preliminares antes de começar as negociações de um pacote de incentivos nucleares, comerciais e de outros tipos. Mas estas conversas formais não começarão até que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio.   Os EUA exigiam que o Irã desse até o último fim de semana uma resposta a um pacote de incentivos oferecido em troca do fim do enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.   Em seus relatórios, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) têm informado não haver sinais de um programa nuclear com fins militares e os serviços secretos dos EUA divulgaram relatório há alguns meses afirmando ter evidências de que um programa nuclear militar mantido pelo Irã teria sido encerrado em 2003.   Ainda assim, EUA e Israel não descartam a possibilidade de bombardear o Irã caso o país não desista do enriquecimento de urânio, um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.

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