Irã responderá que prefere comprar o combustível nuclear

TV estatal afirma que Teerã não aceitará proposta de enviar urânio para ser enriquecido na Rússia

Efe,

23 de outubro de 2009 | 21h43

O Irã responderá que prefere comprar combustível nuclear no exterior ao invés de mandar seu urânio para que seja enriquecido em outro país, adiantou nesta sexta-feira, 23, o canal de televisão estatal por satélite PessTV.

 

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Segundo a fonte, um diplomata iraniano em Viena explicou nesta sexta que o Irã é quem "compra combustível para seu reator em Teerã e que são os vendedores que devem dar uma resposta positiva".

 

Representantes de Teerã se reuniram nesta semana com membros do governo americano, francês e russo para que chegasse a um acordo sobre o uso civil da energia atômica no Irã.

 

Sob a mesa de negociações, EUA, França e Rússia ofereceram ao regime iraniano um acordo para que o país do oriente médio enviasse seu urânio ao exterior - para Moscou em especial - para que este fosse enriquecido em até 20%.

 

O objetivo é evitar que o Irã utilize sua energia atômica para fins militares. Neste sentido, a própria emissora estatal insistiu nesta sexta-feira, 23, que o Irã prefere "comprar combustível nuclear para o seu reator, que está sob investigação da Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA) que enviar seu urânio para o exterior".

 

 

A PressTV também afirmou que um membro da equipe de negociações do Irã está em contato com responsáveis dos Estados Unidos, França e Rússia para que os convença a dar uma "resposta positiva ao recente acordo proposto para adquirir combustível nuclear".

 

Além disso, advertiu que os países ocidentais "devem evitar os erros do passado e colaborar no esforço de construir um clima de confiança".

 

Grande parte da comunidade internacional, com Estados Unidos e Israel à frente, acusam o regime iraniano de ocultar, alegando ser um programa civil, um programa de clandestino visando o uso bélico da produção de armamentos nucleares.

 

Teerã nega tal acusação e insiste que só visa fins pacíficos no seu programa de energia nuclear, tanto para a geração de energia elétrica como para utilizar em hospitais.

 

O governo iraniano também tem reiterado que se o acordo com os países ocidentais fracassar, ele enriquecerá o urânio por seus próprios meios, já que considera que é um direito seu.

 

Em relação a isto, o vice-presidente do parlamento iraniano, Mohamad Reza Bahonar, afirmou nesta sexta-feira, 23, que o Irã "está ficando sem combustível nuclear para o seu reator" e que a OIEA "é responsável por proporcioná-lo".

 

"A OIEA é responsável pelo envio de urânio enriquecido em 20% ao Irã, isso é um dos pontos principais na agenda da República Islâmica. Se o organismo não cumpre com seus compromissos, talvez devamos fazer algo pelos nossos próprios meios", disse Bahonar à agência de notícias Ilna.

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