Irã revela existência de 2ª usina de enriquecimento de urânio

Em carta, regime diz que planta ainda não está em funcionamento; usina de Natanz possui 8 mil centrífugas

estadao.com.br,

25 de setembro de 2009 | 08h09

O governo do Irã revelou a existência de uma segunda usina de enriquecimento de urânio, informou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU. Teerã fez o anúncio em uma carta enviada ao chefe da AIEA, Mohammed El Baradei, no início da semana. Esta nova instalação, desconhecida até agora, não estaria em funcionamento ainda e seria uma planta experimental, agregaram as fontes ligadas à AIEA.

 

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O país havia reconhecido anteriormente ter apenas uma única usina na cidade de Natanz, no centro do país, que se encontra em parte subterrânea para protegê-la de possíveis ataques aéreos. A existência desta planta foi revelada no verão de 2002 por um grupo opositor iraniano mediante fotos tomadas por satélite. Por enquanto, tem ali instaladas cerca de 8 mil centrífugas de gás, das que aproximadamente 5 mil se encontram em funcionamento e que produziram já mais de uma tonelada de urânio pouco enriquecido.

 

O diário americano "The New York Times" antecipa em sua edição eletrônica que os líderes dos EUA, França e Reino Unido acusarão o Irã nesta sexta - perante o início da cúpula do G20 em Pittsburgh (EUA) - de construir uma instalação secreta não declarada aos inspetores da AIEA. O jornal ainda cita fontes do governo americano afirmando que a usina – construída dentro de uma montanha perto da cidade sagrada de Qom – ainda não está completa, mas poderia estar operando já no ano que vem. Segundo essas fontes, acredita-se que a usina seja capaz de abrigar cerca de 3 mil centrífugas, as máquinas usadas no enriquecimento de urânio.

 

Para poder fabricar uma bomba nuclear se necessita urânio altamente enriquecido, que se consegue mediante o mesmo método. O Irã assegura que quer produzir urânio enriquecido de forma industrial para fins pacíficos como a geração de energia elétrica.

 

Segundo a AIEA, o Irã afirma na carta que dará mais informações sobre a planta no momento adequado. Em resposta ao regime iraniano, a agência da ONU solicita as informações específicas e o acesso à instalação para avaliar os requisitos para a verificação de proteção. A carta assinala que o nível de enriquecimento seria de até 5%, que é considerado baixo, e não é elevado o bastante para a fabricação de material para uma bomba atômica. Um porta-voz da AIEA disse que o governo iraniano garantiu que ainda não havia nenhum material nuclear na nova instalação.

 

Perante a desconfiança da comunidade internacional às possíveis ambições nucleares do Irã, o Conselho de Segurança da ONU exige há mais de três anos a suspensão do programa de enriquecimento de urânio. O Irã está sob três conjuntos de sanções do Conselho de Segurança da ONU para desativar ou congelar o enriquecimento de urânio, que pode servir tanto para a produção de combustível nuclear como para a fabricação de ogivas.

 

Em 1º de outubro, o negociador iraniano, Saeed Jalili, terá um encontro com os países envolvidos na questão nuclear do país: além dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, China, Grã-Bretanha, França e Rússia, também a Alemanha. No encontro, esses países pretendem pressionar Teerã a recuar em seus projetos nucleares.

 

DA NATUREZA PARA A USINA ATÔMICA

 

- Na natureza: O urânio, elemento mais pesado da natureza, é constituído por 3 isótopos radioativos: 99,3% do urânio que existe é do tipo U-238, que não sofre fissão. Os outros dois tipos, o U-235 e o U-234, representam cerca de 0,7% do urânio da natureza e é o material físsil usado para produzir energia

 

- O 'yellowcake': O primeiro passo para produzir energia é extrair urânio do minério por tratamento com ácidos, purificá-lo e concentrá-lo sob a forma de um bolo amarelo, o chamado ‘yellowcake’ (U3O8)

 

- Gás: Em seguida, o ‘yellowcake’ é dissolvido e convertido para o estado gasoso, tornando-se hexafluoreto de urânio (UF6), que em breve estará pronto para o processo de enriquecimento

 

- Enriquecimento e transformação em pó: A operação de enriquecimento de urânio tem por objetivo aumentar a concentração do U-235. O hexafluoreto de urânio é transformado em dióxido de urânio (UO2). A reconversão é o retorno do gás UF6 ao estado sólido, sob a forma de pó de dióxido de urânio.

 

- Pastilhas: Depois de compactado, o pó de urânio é transformado em pequenas

pastilhas, que são colocadas em varetas metálicas e usadas como combustível para as usinas nucleares

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