Irã revela todas as suas instalações nucleares à AIEA

Declaração eleva suspeita de que o país tenha uma rede de complexos de enriquecimento de urânio

Reuters e Efe,

01 de outubro de 2009 | 15h41

O governo do Irã revelou todos os seus complexos de enriquecimento de urânio à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informou nesta quinta-feira, 1º, o ministro do Exterior do país, Manouchehr Mottaki, em resposta às alegações de que o país mantinha instalações nucleares secretas. "Qualquer complexo nuclear do Irã foi revelado à AIEA, e o único que está em construção é o de Qom, e nós já o anunciamos", disse Motakki.

 

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O jornal americano New York Times havia publicado nesta quinta que o chefe do departamento nuclear e vice-presidente iraniano, Ali Akbar Salehi, estava preparando uma carta à agência nuclear da ONU sobre a exata localização da usina de Qom e "de outras". O comentário levantou suspeitas de que o Irã revelaria uma rede de complexos de atividade nuclear.

 

"Conforme dissemos anteriormente, a República Islâmica está pronta para aumentar o nível das negociações", disse Mottaki, reiterando a disposição e a afirmação de que o Irã quer uma solução para a questão através do diálogo.

 

O ministro de Exteriores iraniano disse também que os negociadores que hoje assistem às reuniões nessa localidade suíça fizeram isso com "uma agenda clara e um plano de ação" e acrescentou que "talvez possa haver um diálogo entre os países que leve a resolver assuntos importantes da agenda internacional".

 

O grupo formado por Rússia, França, China, EUA, Reino Unido e Alemanha, e a União Europeia (UE), encarregados de negociar com Teerã sobre seu programa nuclear, se reuniram hoje em Genthod, nos arredores de Genebra, para tratar sobre o programa nuclear iraniano, que as potências ocidentais suspeitam que tenha uso militar.

 

Na semana passada, durante a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) em Pittsburgh, o presidente americano, Barack Obama, revelou que Teerã tinha uma nova instalação secreta de enriquecimento de urânio perto de Qom, cerca de 160 quilômetros de Teerã.

 

Mottaki ressaltou nas Nações Unidas que seu país "é um membro comprometido da AIEA e que respeita todas suas regulações", acrescentando que assim fez ao informar ao organismo "um ano e meio antes de entrar em funcionamento, e quando se coloque gás nas centrífugas" da usina. Sobre o resultado das conversas em Genthod, Mottaki pediu para "esperar 24 horas. Pode ser que o diálogo de Genebra ajude a ver o caminho a seguir".

 

O iraniano insistiu também sobre o caráter pacífico desse programa, assim como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante uma entrevista coletiva na semana passada em Nova York, na qual assegurou que seu Governo "não tinha nenhum problema" para que a AIEA investigasse as usinas.

 

A reunião na Suíça é a primeira ocasião em que as potências discutem em alto nível a situação do programa nuclear iraniano, após a polêmica reeleição de Ahmadinejad, que a oposição de seu país e várias organizações civis internacionais consideram produto de uma fraude.

 

A respeito das eleições presidenciais, Mottaki disse que "foram as mais gloriosas que já aconteceram no Irã, comparando aos últimos 30 anos", além de ressaltar que houve um alto nível de participação cidadã e que tanto o vencedor do pleito quanto os perdedores "tiveram muitos votos".

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