Irã revisará laços com países que apoiaram resolução da AIEA

Governo se diz extremamente desapontado com Rússia e China, aliados tradicionais que assinaram advertência

03 de dezembro de 2009 | 12h41

O Parlamento iraniano revisará as relações de Teerã com os 25 países que votaram a favor da resolução de condenação ao Irã aprovada em 27 de novembro pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), anunciou nesta quinta-feira, 3, o presidente da Câmara, Ali Larijani.

 

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Em declarações divulgadas pela agência de notícias iraniana Irna, o ex-negociador nuclear disse também que seu país quer manter a cooperação com a citada agência da ONU, mas que os recentes levaram a um estudo cuidadoso de diferentes aspectos relacionados a essa cooperação.

 

"A Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores do Parlamento revisará as relações com todos aqueles Estados que votaram contra o Irã", disse.

 

O Irã está especialmente decepcionado com o apoio dado à resolução - a primeira aprovada desde 2006 - por Rússia e China, dois países que antes tinham sido reticentes em adotar medidas contra o regime iraniano. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, criticou na terça-feira especialmente Moscou, ao qual acusou de ter cometido um grave erro por não ter analisado a conjuntura internacional.

 

Na semana passada, 25 dos 36 países do Conselho de Governadores da AIEA definiram um documento de condenação ao Irã no qual recriminaram o país pela fala de transparência em relação a seu programa nuclear e por não ter informado a tempo que está construindo uma nova central de enriquecimento urânio.

 

Logo após saber da resolução, Teerã anunciou que reduziria sua cooperação com o citado organismo subordinado à ONU, o que intensificou ainda mais o conflito nuclear. Na terça-feira, Ahmadinejad esclareceu que essa colaboração será mínima, e explicou que se limitará a aplicar unicamente e de forma estrita a lei.

 

Como segunda medida, o governo iraniano revelou no domingo que pretende construir outras dez usinas de enriquecimento de urânio em diversas partes do país, para gerar seu próprio combustível nuclear.

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