Irã seguirá com enriquecimento de urânio, diz chefe nuclear

O Irã vai continuar enriquecendo urânio "com intensidade", e o número de centrífugas de enriquecimento que estão operacionais deve aumentar substancialmente até março, disse o chefe de energia nuclear do país nesta quarta-feira, segundo uma televisão estatal.

Reuters

28 de novembro de 2012 | 13h43

Os comentários feitos por Fereydoun Abbasi-Davani, chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, sinalizaram que o Irã continua desafiando as demandas internacionais para que Teerã interrompa o enriquecimento para o nível mais alto de pureza fóssil de 20 por cento, feche sua usina de enriquecimento de Fordow e envie para o exterior seu estoque do material.

A diplomacia entre o Irã e as potências mundiais --Estados Unidos, China, Rússia, França, Alemanha e Grã-Bretanha-- está travada desde uma reunião de junho que terminou sem qualquer avanço.

O Irã enfrentou um aperto de sanções comerciais ocidentais nos últimos dois anos, com os Estados Unidos e seus aliados esperando que as medidas forcem o Irã a conter seu programa nuclear.

"Apesar das sanções, muito provavelmente este ano teremos um crescimento substancial em centrífugas e vamos continuar o enriquecimento (de urânio) com intensidade", disse Abbasi-Davani segundo o site da televisão estatal iraniana (Irib).

O ano calendário iraniano vai até meados de março.

Mas Abbasi-Davani não disse se o Irã iria aumentar o trabalho que mais preocupa o Ocidente, o enriquecimento de alto grau de urânio para 20 por cento de pureza, ao invés do enriquecimento de menor grau para o nível de 3,5 por cento, necessário para usinas nucleares.

O Irã diz que precisa de 20 por cento de urânio enriquecido para produzir combustível para um reator de pesquisa médica, e afirma que seu programa nuclear tem fins puramente pacíficos.

Teerã começou a produzir urânio enriquecido a 20 por cento na usina Fordow, que fica escondida dentro de uma montanha, no final de 2011 e vem operando 700 centrífugas lá desde janeiro.

Um relatório da ONU no início deste mês apontou que o Estado islâmico já colocou as quase 2.800 centrífugas para as quais Fordow foi projetada, e está prestes a dobrar o número das que estão operando para cerca de 1.400, de 700 agora.

O chefe da agência nuclear da ONU, Yukiya Amano, disse este mês que o Irã está enriquecendo urânio em um ritmo constante e as sanções internacionais que visam fazer Teerã suspender a atividade não estão tendo nenhum impacto visível.

Abbasi-Davani também afirmou nesta quarta-feira que o reator de pesquisa Arak, que especialistas ocidentais dizem que poderia oferecer ao Irã uma segunda via de material para uma bomba nuclear, não enfrentava "nenhum problema" e estava progredindo como normal, informou a Irib.

Um relatório da ONU este mês mostrou que o Irã adiou até 2014 o planejado início do reator de pesquisa Arak, que analistas dizem que poderia produzir plutônio para armas nucleares se o combustível usado for reprocessado.

(Reportagem de Yeganeh Torbati)

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