Irã sinaliza que pode aceitar acordo nuclear com potências

O Irã disse na segunda-feira que pode endossar o acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para que envie combustível nuclear para processamento no exterior, contradizendo parlamentares que rejeitaram o plano proposto pelas potências mundiais porque ele seria "uma armadilha".

REZA DERAKHSHI, REUTERS

26 de outubro de 2009 | 15h25

A declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, foi a mais positiva até o momento vinda de uma autoridade do alto escalão, e dá pistas de um intenso debate de bastidores entre os linha-dura e os moderados dentro do governo com relação à proposta da ONU.

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que um acordo das potências com Teerã é urgente para evitar um ataque israelense.

"Eles (Israel) não vão tolerar uma bomba iraniana. Nós sabemos disso, todos nós. Portanto, é um risco adicional e é por isso que precisamos diminuir a tensão e resolver o problema. Se tudo der certo vamos deter essa corrida em direção ao confronto", disse Kouchner.

"Há o tempo que Israel vai nos oferecer antes de reagir, porque Israel vai reagir assim que tiver certeza de que há uma ameaça", acrescentou em entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph.

No Irã, inspetores da ONU examinavam um local até agora secreto de enriquecimento de urânio, escondido dentro de uma montanha, para verificar se a usina estava destinada a produzir apenas combustível de baixo enriquecimento para eletricidade, e não a versão de alta pureza para armas nucleares.

O entendimento sobre a proposta da ONU e o acesso à usina em construção foram selados em conversações em Genebra entre o Irã e seis potências mundiais no dia 1o de outubro.

O Ocidente vê a proposta como a prova dos nove da intenção declarada do Irã de usar o urânio enriquecido somente para fins pacíficos, e como base para negociações mais ambiciosas para reduzir o enriquecimento de urânio no Irã a fim de pôr fim a uma crise sobre as polêmicas aspirações nucleares do país.

Mottaki afirmou que o Irã poderia tanto enviar parte do estoque do urânio de baixo enriquecimento (LEU) ao exterior para processamento especializado, e transformá-lo em combustível para uma instalação de medicina nuclear que está ficando sem combustível, ou comprar o material de fornecedores estrangeiros.

"A fim de obter esse combustível, nós poderemos gastar dinheiro como no passado ou poderemos apresentar parte do combustível que temos agora, e de que no momento não precisamos, para processamento posterior", disse Mottaki, segundo a agência de notícias oficial IRNA.

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