Irã suspende negociações com EUA sobre segurança no Iraque

Porta-voz da chancelaria atribui fim das negociações aos enfrentamentos de militares com milícias xiitas

Agência Estado e Associated Press,

05 de maio de 2008 | 11h12

O Irã anunciou nesta segunda-feira, 5, que não participará de nenhuma nova rodada de negociações com os Estados Unidos para discutir a crise no setor de segurança no Iraque enquanto as forças americanas mantiverem a atual onda de repressão a milicianos xiitas no país árabe.   Forças americanas e iraquianas enfrentam milicianos leais ao clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, líder do Exercito Mahdi. No domingo, um funcionário do governo iraquiano afirmou que a repressão continuaria mesmo que o Irã abandonasse as negociações. "Acreditamos que as negociações não ocorrerão por causa da atual situação" no Iraque, disse Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, durante uma conversa semanal com jornalistas em Teerã.   A declaração de Hosseini é a primeira confirmação oficial de que o Irã decidiu suspender as negociações com os EUA. Diplomatas iranianos e americanos realizaram três rodadas de negociações para discutir a situação de segurança no Iraque desde maio do ano passado.   "O que estamos testemunhando é um bombardeio aberto e amplo da nação iraquiana em um momento no qual o objetivo das negociações com os americanos são a segurança e a paz no Iraque", declarou Hosseini. "Há dúvidas quanto aos Estados Unidos estarem em busca de uma solução para a crise, que foi causada por eles."   Os EUA invadiram o Iraque em março de 2003 sob a alegação de que o regime de Saddam Hussein, então no poder, ocultava armas de destruição em massa. Tais armas nunca vieram a ser encontradas, mas o regime caiu. Em meio à resistência iraquiana à invasão do país, o EUA passaram a acusar o Irã de financiar e armar milícias xiitas no Iraque. Apesar de os iranianos serem persas e os iraquianos, árabes, os dois países compartilham a crença na interpretação xiita do Islã. O Irã nega que arme e financie os rebeldes e atribui a violência no país vizinho à presença de tropas americanas.

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