Irã suspenderá enriquecimento de urânio a 20% se obtiver o combustível

Anúncio é resposta à declaração dos EUA de que estariam dispostos a renegociar troca de material

estadão.com.br

29 de julho de 2010 | 13h07

TEERÃ - O Irã suspenderá o processo de enriquecimento de urânio a 20% se obtiver combustível necessário para colocar em funcionamento de seu reator de pesquisa e, Teerã, declarou nesta quinta-feira, 28, Ali Akbar Salehi, chefa da Organização Iraniana de Energia Nuclear (OIEA), segundo o canal al-Alam. As informações são da agência de notícias AFP.

 

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"Não precisamos enriquecer o urânio a 20% se nossas demandas de combustível nuclear forem supridas", afirmou Salehi. "Começamos a produção de urânio a 20% para outras necessidades. Não queremos utilizar nossas reservas de urânio enriquecido a 3,5%", completou.

 

O anúncio confirma as declarações do chanceler turco, Ahmet Davutoglu, que na quarta havia dito que o Irã encerraria os processos de enriquecimento a 20% se recebesse em troca o material enriquecido a esse nível para colocar o reator em funcionamento.

 

Davutoglu, por sua vez, fez as declarações após os EUA anunciarem que estariam dispostos a retomar o diálogo com o Irã e poderiam renegociar um acordo de troca de combustível nuclear.

 

O Irã anunciou ter iniciado a produção de urânio enriquecido a 20% em fevereiro, oficialmente para fabricar o combustível necessário para o reator de Teerã. A decisão foi adotada depois do fracasso das negociações entre a República Islâmica e o grupo de Viena - EUA, Rússia e França - para realizar a troca.

 

Em junho deste ano, o Irã firmou um novo acordo de troca com o Brasil e a Turquia. O pacto previa a troca de 1.200 quilos de urânio iraniano enriquecido a 3,5% (suficiente para fins energéticos) por combustível para um reator de pesquisas. Para a construção de uma arma, a pureza necessária é de mais de 90%.

 

Pouco tempo depois, porém, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova rodada de sanções contra o país persa. As sanções eram pretendidas pelas potências ocidentais pelos temores de que o programa nuclear do Irã tenha como objetivo a produção de armas nucleares. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para fins pacíficos.

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