Irã tacha nova estratégia nuclear dos EUA de 'terrorismo de Estado'

Irã tacha nova estratégia nuclear dos EUA de 'terrorismo de Estado'

Nova política de defesa nuclear de Obama não descarta Teerã nem Coreia do Norte como alvos

12 de abril de 2010 | 22h25

Efe

 

TEERÃ- O Irã intitulou nesta segunda-feira, 12, a nova estratégia de defesa nuclear adotada pelos Estados Unidos de "terrorismo de Estado" por não descartar a República Islâmica como um possível alvo.

 

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"Esta política de chantagem nuclear e terror, que fere o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, além de abalar a confiança entre nações, deve ser denunciada", disse o embaixador do Irã na ONU, Mohammad Khazaee, em discurso em um comitê da Assembleia Geral do organismo.

 

O diplomata perguntou aos membros do comitê das Nações Unidas, que analisa a luta contra o terrorismo, se não há pior ato de terror "do que ameaçar um país inteiro com armas de destruição em massa".

 

"É possível descrever a nova estratégia nuclear dos EUA, que autoriza o uso de armas nucleares contra outros países, entre eles o Irã, como outra coisa que não seja terrorismo de Estado em sua máxima expressão?", questionou o embaixador.

 

Khazee também perguntou se ameaçar "de maneira pública e sem pudor" um membro das Nações Unidas e signatário do Tratado de Não-Proliferação (TNP) "não é uma clara manifestação de terrorismo de Estado em grande escala".

 

A revisão da política de defesa nuclear anunciada no último dia 6 por Washington impõe novos limites ao uso e às quantidades de armas atômicas em caso de conflito bélico.

 

O novo documento estabelece, entre outras regras, que os EUA não ameaçarão ou atacarão com armas nucleares países que respeitem seus compromissos dentro do TNP, mas inclui exceções para nações como Coreia do Norte ou Irã por causa de seus programas nucleares.

 

Um dia depois, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu em discurso em Teerã que os EUA receberão uma "resposta contundente" caso ameacem a segurança de seu país.

 

Cúpula

 

Também nesta segunda, o Irã afirmou que não se sentirá de nenhum modo vinculado aos compromissos "conhecidos de antemão" da cúpula sobre segurança nuclear que acontece hoje e terça-feira em Washington.

 

"Os resultados da conferência de Washington são conhecidos de antemão, e nenhuma de suas conclusões podem ser vinculantes para os países que não assinarem o acordo", disse o representante da República Islâmica na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Asghar Soltanieh.

 

O Irã, cujo programa nuclear é, segundo as potências ocidentais, suspeito de ter fins militares, não foi convidado para a cúpula.

 

Queixa contra Obama

 

O Ministério iraniano de Assuntos de Exteriores apresentará uma queixa oficial na ONU pelo que considera uma "ameaça nuclear do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contra o Irã", anunciou hoje o porta-voz desse Ministério, Ramin Mehmanparast.

 

Segundo a agência "Fars", Mehmanparast se referiu desta forma à postura nuclear dos EUA expressada na semana passada pelo presidente Obama, quem ameaçou - segundo a interpretação iraniana - com armas nucleares os países como o Irã e a Coreia do Norte.

 

"Vamos denunciar oficialmente esse tipo de declarações diante da ONU por parte de um país que possui armas nucleares", acrescentou.

 

Indicou ainda que "a nova geração de centrífugas (em construção no Irã) para acelerar a produção do combustível nuclear não tem fins bélicos".

 

Durante o ato de comemoração do Dia Nacional da Energia Atômica na sexta-feira passada em Teerã as autoridades iranianas anunciaram a fabricação da terceira geração de centrífugas, seis vezes mais rápidas que a primeira, em um novo desafio à comunidade internacional.

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