Irã tem capacidade para atacar Europa com 'centenas de mísseis', dizem EUA

Declaração foi apresentada como justificativa para reforma de sistema de defesa americano

Reuters,

17 de junho de 2010 | 23h16

WASHINGTON- Informações da inteligência norte-americana de que o Irã tem capacidade para atacar a Europa com "centenas" de mísseis pesaram na decisão de Washington de reformar o sistema de Defesa, disse nesta quinta-feira, 17, o secretário da pasta, Robert Gates.

 

Veja também:

linkApós EUA, União Europeia anuncia ampliação de sanções contra Irã

linkRússia critica EUA e União Europeia por sanções adicionais contra o Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

listaVeja as sanções que já foram aplicadas ao Irã

 

Citando a crescente ameaça de mísseis iranianos, os Estados Unidos anunciaram em setembro planos para integrar defesas contra mísseis marítimos e terrestres dentro e fora de países membros da Otan na europa, referindo-se ao projeto como um "enfoque de adaptação por etapas".

 

"Um dos elementos da inteligência que contribuiu com a decisão da seleção de adaptação por etapas foi notar que se o Irã estivesse para lançar um ataque com mísseis na Europa, não seriam só um ou dois mísseis, nem alguns", disse Gates em uma audiência parlamentar.

 

"Provavelmente seria mais um tipo de ataque ressalva, no qual lidariam potencialmente com muitos e inclusive centenas de mísseis", acrescentou.

 

Gates se disse confiante de que os interceptores de mísseis atualizados em desenvolvimento "nos darão a capacidade de proteger nossas tropas, nossas bases, nossas instalações e nossos aliados na Europa".

 

Segundo o secretário, ter esses sistemas de interceptação instalados até 2020 é crucial não somente por causa da ameaça de mísseis iranianos e norte-coreanos, mas porque pensa "que para 2020 poderíamos ver (ameaças) de outros Estados, especialmente se não conseguirmos deter o Irã na construção de armas nucleares".

 

Antes da audiência, Gates tentou aliviar as preocupações da Rússia com o novo enfoque americano à defesa de mísseis na Europa e minimizou a capacidade do sistema para neutralizar um ataque russo.

 

"Nossas defesas de mísseis não têm a capacidade de se defender contra o grande e avançado arsenal da Federação russa. Em consequência, as defesas de mísseis americanas não afetam nem afetarão o poder dissuasivo estratégico da Rússia", disse Gates.

 

"Os russos sabem que nossas defesas de mísseis estão desenhadas para interceptar um número limitado de mísseis balísticos lançados por um país como Irã ou Coreia do Norte", defendeu.

 

O governo Obama deixou entrever a possibilidade de que Moscou possa participar do sistema de defesa de mísseis em sociedade com Washington.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.