Hamid Forutan/Efe
Hamid Forutan/Efe

Irã terá material para bomba atômica dentro de um ano, diz ex-inspetor

Segundo vice-diretor da AIEA, enriquecer urânio a 90% é o passo mais rápido do processo nuclear

Reuters

12 de janeiro de 2012 | 12h04

VIENA - Ao transferir a produção de urânio altamente enriquecido para uma nova instalação subterrânea, o Irã está agora a apenas um ano de ter material suficiente para fabricar uma bomba nuclear, disse um ex-chefe das inspeções nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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Olli Heinonen escreveu, em artigo publicado nesta quinta-feira, 12, que ter um estoque de cerca de 250 quilos de urânio enriquecido a 20% - uma forma que em poucas semanas pode ser purificada para o grau de armas, de 90% - não significava, no entanto, que o Irã possa fabricar uma bomba sem mais trabalho de engenharia.

 

O finlandês Heinonen foi vice-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) até 2010 e agora está na Universidade de Harvard. Ele fez a previsão dias depois de o Irã ter confirmado o início do enriquecimento de urânio a 20% dentro da montanha Fordow, alimentando os temores do Ocidente de que Teerã está buscando armas atômicas.

Estimativas sobre quando o Irã poderá desenvolver tais armas são importantes, já que podem determinar o prazo que as potências terão para resolver o impasse nuclear de forma pacífica. Teerã diz que seu programa nuclear tem apenas fins civis.

O Irã diz que precisa refinar urânio ao nível de 20% de puridade físsil, comparado com os 3,5% normalmente usados para abastecer as usinas de energia nuclear, para um reator de pesquisas médicas em Teerã que produz isótopos para doentes com câncer.

Mas diplomatas ocidentais e especialistas questionam a credibilidade dessa justificativa e observam que adquirir a capacidade de produzir urânio a 20% é um passo mais perto dos 90% necessários para fazer material para armas.

"Se o Irã decidir produzir urânio no grau das armas, a partir do urânio enriquecido a 20%, já terá realizado 90% do esforço de enriquecimento necessário", escreveu Heinonen em um artigo para a revista Foreign Policy. "O que resta fazer é abastecer o urânio a 20% através de cascatas existentes e adicionais para chegar ao enriquecimento no grau de armas... esse passo é mais rápido do que os anteriores".

Até agora o Irã produziu urânio a 20% em outra instalação na superfície, mas anunciou no ano passado que iria transferir essa atividade de alto grau para um local subterrâneo em Fordow, oferecendo melhor proteção contra ataques aéreos inimigos.

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