Irã testa mísseis capazes de atacar Israel e bases dos EUA

Governo americano diz que manobras iranianas no Golfo justificam instalação de escudo antimísseis na Europa

Agências internacionais,

09 de julho de 2008 | 14h14

O Irã testou nesta quarta-feira, 9, mísseis de médio e longo alcance que podem alcançar Israel e bases militares americanas no Oriente Médio caso suas instalações nucleares sejam atacadas. Os nove mísseis foram lançados em manobras que autoridades iranianas afirmaram que eram resposta às ameaças de Israel e dos Estados Unidos, segundo a televisão estatal.  Veja também:Marcos Guterman e Roberto Godoy comentam o teste  Irã testa míssil que pode alcançar Israel EUA dizem que Irã deve suspender testes Para Obama, Irã é 'ameaça'; McCain defende escudo antimíssil Assista ao lançamento do míssil   O governo americano, que acusa os iranianos de tentarem desenvolver bombas atômicas, alertou ao Irã para que não realize outros testes. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, qualificou os testes como uma "prova de que a ameaça de míssil (iraniano) não é imaginária" e ressaltou que eles evidenciam que o mundo precisa do sistema de defesa antimísseis que os EUA planejam instalar no Leste Europeu. "Os que afirmam não haver nenhuma ameaça iraniana contra a qual montar defesas antimíssil talvez devessem conversar com os iranianos sobre o alcance dos mísseis que testaram", disse Rice, na Bulgária.  O exercício foi realizado próximo ao Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa algo como 40% do petróleo mundial. "Este exercício é para demonstrar a nossa determinação contra os inimigos que recentemente têm ameaçado o Irã com uma linguagem dura", disse o general Hossein Salami, comandante das forças aéreas da Guarda Revolucionária iraniana (tropa de elite do regime islâmico). Imagens de televisão mostraram pelo menos três foguetes disparados simultaneamente. Além do míssil Shahab-3, que pesa 1 tonelada e foi projetado para atingir alvos até 2.500 quilômetros, foram testados os mísseis Shahab-2, assim como os modelos Fateh (conquistador) e Zelzal (terremoto), segundo a imprensa oficial. Os testes, que incluíram aviões não tripulados para missões de combate e reconhecimento, aconteceram durante as manobras que a Guarda Revolucionária realiza desde segunda-feira no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Estados Unidos O secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que mesmo após os testes, os EUA não estão próximos de um confronto com o Irã. Segundo William Burns, secretário de Estado dos EUA para assuntos políticos, Washington não esgotou todas as opções diplomáticas contra o Irã. Ele afirmou ainda que Teerã fez apenas progressos "modestos" em seu programa nuclear por conta das sanções da ONU. Burns alertou ainda que os custos podem ser altos para Teerã se o programa atômico seguir em desenvolvimento.  Ameaças iranianas EfeOs mísseis novos têm capacidade de alcançar o território de Israel, a Turquia, a Península Arábica, o Afeganistão e o Paquistão. "Teremos sempre o dedo no gatilho e nossos mísseis estão prontos para ser lançados", disse Salami nesta quarta para a agência oficial Irna. Salami destacou que o principal objetivo das manobras é "mostrar as capacidades, a preparação e o desenvolvimento da indústria de defesa do Irã", e advertiu os inimigos para "que não cometam erros". "Estamos vigiando todos os movimentos dos inimigos", acrescentou.  Os militares iranianos ameaçaram, há uma semana, bloquear o Estreito caso o Irã fosse atacado, declaração à qual os militares americanos na região reagiram prontamente, afirmando que "não permitiriam" tal ação. Salami não mencionou Israel ou os EUA, mas Ali Shirazi, o representante da Guarda Revolucionária perante o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi mais preciso na terça-feira, ao ameaçar "queimar" o Estado judeu e a força naval americana no Golfo Pérsico em caso de guerra contra o Irã. Os EUA têm assinado acordos de cooperação defensiva com todas as monarquias petrolíferas árabes do Golfo Pérsico, e vários desses países abrigam bases militares americanas em seus territórios ou em suas águas jurisdicionais. A Quinta Frota americana, que tem sua principal base no Bahrein, afirmou em repetidas ocasiões que protegerá o Estreito de Ormuz, situado entre Irã e Omã, já que por ali saem diariamente entre 16 milhões e 17 milhões de barris de petróleo para cobrir um terço da demanda mundial. Matéria atualizada às 15 horas.

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