Irã testa mísseis e gera mais tensão com potências

O Irã testou nove mísseis na quarta-feirae avisou os Estados Unidos e Israel que está pronto pararetaliar caso sofra qualquer ataque em virtude de seu programanuclear. O governo norte-americano, que acusa os iranianos detentarem desenvolver bombas atômicas, disse ao Irã que nãorealize outros testes. O país islâmico, quarto maior produtorde petróleo no mundo, afirma que seu programa nuclear visaapenas à produção de eletricidade. Os mísseis testados pelo Irã provocaram ondas de choque nosmercados de petróleo, ajudando os preços do barril a subirem 2dólares após baixas recentes. Especulações sobre a possibilidade de Israel bombardear oIrã intensificaram-se desde que o Estado judaico realizou umgrande exercício militar no mês passado. E dirigentesnorte-americanos não descartaram a hipótese de usar a forçacaso a diplomacia não consiga resolver o impasse em torno doprograma nuclear iraniano. O comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária,Hossein Salami, afirmou em comentários divulgados por uma TViraniana que os mísseis estavam prontos para serem disparadoscontra "alvos pré-determinados". Imagens mostraram mísseis saindo de suas plataformas delançamento e deixando para trás uma trilha de fumaça branca. "Alertamos nossos inimigos que pretendem nos ameaçar comexercícios militares e operações psicológicas vazias que nossasmãos sempre estarão no gatilho e que nossos mísseis sempreestarão prontos para serem lançados", disse, segundo a agênciade notícias Isna. O ministro iraniano da Defesa, Mostafa Mohammad Najjar, emdeclarações divulgadas pela agência de notícias Fars, disse queos mísseis iranianos visavam apenas à defesa do país e queestavam "a serviço da paz, da estabilidade e da segurança daregião". O governo dos EUA determinou que o Irã "abra mão de futurostestes com mísseis caso deseje realmente conquistar a confiançado mundo". ESCUDO ANTIMÍSSIL A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice,sugeriu que os testes justificavam os planos dos EUA paraconstruir um escudo antimíssil, algo a que a Rússia se opõe. "Os que afirmam não haver nenhuma ameaça iraniana contra aqual montar defesas antimíssil talvez devessem conversar com osiranianos sobre o alcance dos mísseis que testaram", disseRice, na Bulgária. A França, a Alemanha e a Itália aderiram ao coro decríticas contra o Irã. "Esses mísseis são muito perigosos --é por isso que acomunidade internacional, e não apenas Israel, interessa-se porbloquear essa escalada de uma forma definitiva", disse oministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, emRamallah (Cisjordânia). A França disse que os testes faziam aumentar a preocupaçãoda comunidade internacional e a Alemanha lamentou o fato de oIrã ter respondido a uma oferta de incentivos feita porpotências mundiais com "um gesto mal intencionado". A State Press TV, do Irã, disse que entre os mísseis"altamente avançados" envolvidos nos testes estava o "novo"Shahab 3, que, segundo autoridades, teria um raio de alcance de2.000 quilômetros. O Irã afirma que bases israelenses enorte-americanas encontram-se dentro de seu alcance. Israel, que seria o único país do Oriente Médio a ter armasnucleares, prometeu impedir que o Irã desenvolva uma bombaatômica. (Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Paolo Biondi emTokayo, Japão)

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